O navio W. Besnard, embarcação histórica com quase 60 anos que participou da primeira expedição brasileira à Antártida, está parcialmente submerso no Porto de Santos. A tragédia aconteceu após o furto de cabos elétricos que alimentavam as bombas de sucção do navio, combinado com as fortes chuvas que atingiram a Baixada Santista na segunda semana de março.
Sem as bombas funcionando, a água invadiu a embarcação, que tombou e sofreu danos severos no mastro e no maquinário. O navio havia sido doado pela Prefeitura de Ilhabela ao Instituto Mar, uma ONG que planejava transformá-lo em museu flutuante — projeto agora em risco.
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O que aconteceu com o navio
Na segunda semana de março, fortes chuvas atingiram a Baixada Santista. O problema se agravou quando as bombas de sucção não funcionaram. A razão: fios de energia foram furtados.
Sem as bombas, a água invadiu o navio. A embarcação tombou. O mastro e o maquinário sofreram danos severos. Os pontos de ferrugem pioraram.
Segundo especialistas, a recuperação agora beira o irreversível. O navio vinha sendo restaurado por trabalho voluntário, sem verbas públicas.
A história do W. Besnard
O navio foi projetado no Brasil e construído na Noruega em 1966. Chegou ao país em agosto de 1967. O nome homenageia Wladimir Besnard, primeiro diretor do Instituto Oceanográfico da USP.
A embarcação tem um currículo científico impressionante. Participou da primeira expedição brasileira à Antártida em 1982. Operou por mais de 3.000 dias ininterruptos nos primeiros 23 anos. Realizou centenas de viagens científicas, sendo seis delas para o continente gelado.
Na prática, o W. Besnard é um símbolo da ciência nacional. A embarcação parou de operar em 2008.
O que dizem as autoridades
A Prefeitura de Santos informou em nota que a responsabilidade pela manutenção é da ONG Instituto Mar. Segundo a prefeitura, o local é monitorado por câmeras. O ponto de energia já foi restabelecido.
A Marinha do Brasil confirmou que está investigando as causas do ocorrido. A investigação busca entender as circunstâncias do incidente.
Por que isso importa
O W. Besnard representa décadas de pesquisa oceanográfica brasileira. A perda da embarcação significa perder um pedaço da história científica do país. Para quem visita o Porto de Santos, a cena melancólica do navio tombado é um lembrete de como o patrimônio histórico pode ser frágil.
O futuro incerto
O destino do W. Besnard permanece indefinido. A embarcação flutua entre a memória de um passado heróico e a incerteza de um futuro como patrimônio histórico.
O navio tem aproximadamente 9 metros de comprimento. Hoje, quem caminha pelo cais do Parque Valongo vê a embarcação à deriva, parcialmente submersa.
A recuperação, que já era desafiadora antes do incidente, agora enfrenta obstáculos ainda maiores. O sonho do museu flutuante depende de recursos e vontade política que ainda não apareceram.
*por Fabiano Farah, da TMC, em Santos (SP)




