A Polícia Federal (PF) investiga um esquema de fraudes bancárias e lavagem de dinheiro que envolve o Grupo Fictor e células da facção Comando Vermelho. A apuração acontece no âmbito da Operação Fallax, deflagrada na quarta-feira (25/03) em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. As investigações apontam que as fraudes podem superar os R$ 500 milhões.
Rafael de Gois, CEO do Grupo Fictor, e o ex-sócio da empresa Luiz Rubini estão entre os alvos da operação. A PF cumpriu 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva. Ao menos 15 pessoas foram presas, incluindo dois gerentes da Caixa Econômica Federal e uma ex-gerente do Banco do Brasil.
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A investigação identificou que o Grupo Fictor e células do Comando Vermelho operavam com a mesma estrutura criminosa. O esquema funcionava por meio de empresas de fachada, movimentações simuladas e cooptação de funcionários de bancos.
A estrutura incluía pagamentos cruzados, contabilidade fraudada e participação de gerentes que inseriam dados falsos em sistemas bancários. A Fictor atuava como núcleo financeiro do esquema. O grupo injetava recursos que alimentavam as simulações de fluxo de caixa e auxiliava na montagem de empresas de fachada.
Células do Comando Vermelho utilizavam a mesma estrutura para lavar dinheiro do tráfico. As organizações se aproveitavam das empresas fictícias e da contabilidade fabricada para justificar a entrada de recursos ilícitos no sistema bancário. O dinheiro era convertido em bens de luxo e criptoativos após circular pelas firmas de fachada.
A atuação da Fictor “profissionalizou” o modelo e ampliou a eficiência das fraudes, segundo os investigadores. A PF aponta que o compartilhamento do esquema revela um “ecossistema criminoso” usado por empresários, operadores financeiros e facções.
Seis pilares do esquema criminoso
O grupo investigado montou um sistema profissional de fraude bancária e lavagem de dinheiro baseado principalmente na criação em massa de empresas de fachada. O modelo tinha seis pilares: criação em massa de empresas fictícias, captação de “laranjas” e dados pessoais, contabilidade fraudada, movimentação artificial de dinheiro, participação de funcionários de bancos e inadimplência planejada.
As empresas fictícias eram abertas seguindo um padrão: sócio único, capital social simulado e objeto social genérico. Nos primeiros meses, as empresas chegavam a cumprir obrigações fiscais para aparentar regularidade.
Integrantes da organização recrutavam pessoas dispostas a ceder seus dados pessoais para viabilizar a abertura dessas empresas. Muitas dessas pessoas não tinham conhecimento da real finalidade da operação.
As empresas passavam a ter uma contabilidade totalmente fraudada. Documentos como DRE, ECF e declarações fiscais eram manipulados para simular faturamento alto. Essa manipulação fazia as empresas parecerem aptas a obter crédito bancário.
Operadores do esquema iniciavam uma intensa movimentação financeira artificial nas empresas fictícias. Essa movimentação era composta por pagamentos cruzados de boletos, transferências internas e supostas entradas de capital sem origem real. A simulação gerava um histórico bancário inflado que convencia instituições financeiras a liberar limites maiores de crédito.
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Gerentes bancários inseriam dados falsos nos sistemas internos, facilitando saques e transferências indevidas. Esses funcionários também aceleravam ou aprovavam operações de crédito com base em informações manipuladas. A cooptação era peça essencial para dar aparência de legalidade e permitir que grandes somas circulassem rapidamente entre as empresas fictícias, de acordo com a PF.
Todo o sistema era planejado para operar por um período limitado, normalmente entre um e um ano e meio. Durante esse tempo, as empresas de fachada movimentavam milhões, tomavam crédito e criavam histórico positivo. A organização abandonava as empresas, deixava de pagar os empréstimos e desaparecia. Essa estratégia tornava a recuperação dos valores praticamente impossível para os bancos.




