O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a China “não deve ter” o “problema” de a população gostar muito de cachorros como no Brasil. A declaração foi feita nesta quinta-feira (26/3) durante a inauguração de uma linha de produção da montadora Caoa em parceria com a fabricante chinesa Changan, em Anápolis (GO). O comentário gerou risos entre os presentes no auditório.
Lula dirigiu-se diretamente ao presidente do conselho da empresa chinesa, Zhu Huarong. “Meu caro Zhu, na China não deve ter esse problema, mas aqui no Brasil nós gostamos muito de cachorro”, disse o presidente. A fala ocorreu em um contexto de discussão sobre o orçamento doméstico das famílias brasileiras e os custos com cuidados veterinários, banhos e outros serviços para animais de estimação.
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Mudanças nos cuidados com animais ao longo das décadas
O presidente compartilhou experiências pessoais para ilustrar as transformações nos hábitos brasileiros. Lula mencionou que teve cachorros durante toda a vida e que atualmente possui três cadelas chamadas Resistência, Paris e Esperança.
“Só para vocês terem ideia, quando eu casei com a Marisa, eu fui morar em uma casa de 33 metros quadrados. Eu, a mãe da Marisa, a Marisa, três filhos e duas cachorras. Eu tive uma dálmata que teve 11 filhotes, e tinha que dar mamadeira para os filhotes porque as tetinhas dela não davam para amamentar tudo. Eu levantava de noite para dar”, declarou.
O petista contrastou os hábitos atuais com práticas do passado. Antigamente era comum alimentar cachorros com restos de comida e mantê-los em áreas externas das residências.
“Mas, agora, quem tem um cachorrinho, cara, tem que levar no dentista para cuidar da boca dele. Ninguém aceita que a gente dê mais resto de comida. Era fácil pegar resto da comida, colocar para o cachorro lá fora. Não, agora não. Agora, os cachorrinhos querem dormir com a gente. Querem dormir na cama e tem que estar limpinhos. Tem que dar banho uma vez por semana, uma vez por mês. Você tem que levar ele no veterinário”, continuou.
Preocupação com endividamento das famílias
O presidente utilizou o exemplo dos gastos com animais domésticos para abordar o comprometimento financeiro das famílias brasileiras. Lula atribuiu o endividamento a diversos fatores que impactam o orçamento doméstico. Entre eles, citou pequenas compras realizadas por meio de cartão de crédito e transferências via Pix em plataformas digitais.
“E tudo isso vai aumentando, sabe… é um sequestro do nosso salário. E a gente só se dá conta no final do mês”, completou. O presidente informou que solicitou ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, que desenvolva estudos para encontrar soluções para o endividamento das famílias brasileiras.
Lula também criticou os efeitos da guerra envolvendo o Irã sobre os preços praticados no Brasil. Segundo o presidente, o conflito internacional tem impactado especialmente os valores dos alimentos no mercado doméstico. O petista direcionou críticas a distribuidoras e postos de combustíveis. Conforme Lula, esses estabelecimentos estariam utilizando o conflito internacional como justificativa para elevar preços sem que haja razão concreta para tais aumentos.
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