O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (26/03) que 101 milhões de pessoas no Brasil usam cartão de crédito no país, modalidade que responde por boa parte do endividamento.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), isso quer dizer que quase a metade do povo brasileiro tem cartão de crédito, pois a população do país estava estimada em 213 milhões de habitantes em julho de 2025.
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Segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito rotativo somou 425% ao ano em janeiro. Trata-se da modalidade mais cara do mercado financeiro.
Em doze meses até janeiro, o estoque dessa modalidade subiu 31%, atingindo R$ 84,8 bilhões (o maior crescimento registrado no crédito livre para pessoas físicas).
Lula preocupado com endividamento
A declaração acontece em um momento no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está demonstrando preocupação maior com o nível de endividamento da população que, segundo dados do próprio BC, está entre os maiores níveis das últimas décadas.
“Falei para meu ministro da Fazenda [Dario Durigan] para gente resolver a dívida das pessoas”, disse Lula, em evento nesta quinta, em Anápolis (GO). “Não quero que deixem de endividar para ter coisas novas na vida, mas ver como a gente faz pra facilitar o pagamento do que devem”, completou.
Galípolo explicou que a população está recorrendo a linhas de crédito que deveriam ser utilizadas apenas em situações emergenciais. Essas linhas estão sendo usadas de maneira recorrente, funcionando como complemento de renda.
Choques econômicos elevaram preços
O presidente do BC explicou que quatro choques econômicos impulsionaram a inflação nos últimos anos: a pandemia de Covid, a guerra na Ucrânia, a guerra tarifária dos Estados Unidos e o conflito no Oriente Médio.
Esses eventos provocaram elevação dos preços relativos, mesmo com os juros em patamares altos.
“O cidadão vê os preços. Entende pouco de IPCA, mas vê o preço do leite e do pão. A gente vem de quatro choques consecutivos. Mesmo que consiga controlar a inflação, os preços subiram quatro degraus. Isso se soma ao que está impactando orçamento das famílias”, explicou Galípolo, do BC.
A elevação dos preços impactou a renda do trabalhador brasileiro, que passou a buscar financiamentos bancários para complementá-la. “Cresceu o número de cartões crédito”, observou ele.
Segundo Galípolo, o tema da limitação de preços, ou seja, das taxas de juros cobradas, vem sendo debatido dentro do Banco Central.
Ele alertou que uma eventual limitação pode produzir restrição na oferta de crédito. “Então pode aumentar situação de desconforto, tema que vem sendo debatido bastante dentro do Banco Central”, declarou.
A autoridade monetária busca construir alternativas para que os clientes tenham opções mais adequadas às suas situações.
“Nossa dimensão do BC é como a gente consegue construir alternativas para o cliente ter uma opção mais adequada à situação dele”, disse o presidente do BC, Gabriel Galípolo.
De acordo com Galípolo, a ideia é tentar “produzir arranjos mais saudáveis para quem está buscando crédito”, ou seja, linhas de crédito mais adequadas.
O presidente do Banco Central afirmou que é necessário que os trabalhadores busquem linhas de crédito mais compatíveis com a renda, evitando usar o crédito rotativo como complemento de renda, pois essa linha possui taxas “punitivas”.
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