Marina Ferrari, ministra do esporte da França, criticou a política de gênero anunciada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). A entidade divulgou na quinta-feira (27/03) a retomada de testes para definir a elegibilidade de atletas à categoria feminina. A medida valerá para todas as competições oficiais do COI, a partir dos Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028.
A dirigente francesa emitiu comunicado oficial na sexta-feira (28/03) manifestando oposição à determinação. Ferrari afirmou que os testes “levantam grandes preocupações, pois visam especificamente as mulheres ao introduzir uma distinção que mina o princípio da igualdade”.
O COI justifica a decisão com base em evidências científicas. A entidade afirma que a política foi elaborada a partir de estudos conduzidos por Jane Thornton, diretora de saúde e ciência do comitê. A organização argumenta que os métodos utilizados para o rastreamento são menos invasivos, realizados por meio de coleta de saliva ou sangue.
A elegibilidade à categoria feminina será determinada pela presença ou ausência do gene SRY (Sex-determining Region Y). Esse gene atua como desencadeador do desenvolvimento masculino. A medida valerá para todas as modalidades olímpicas, sejam individuais ou coletivas.
Histórico dos testes
Os testes de sexo foram introduzidos em 1967. O procedimento foi descontinuado em 1999. A nova política entra em vigor imediatamente, mas sua implementação efetiva ocorrerá nos Jogos de Los Angeles-2028.
Esse período intermediário permitirá que o COI analise o processo com todos os envolvidos. O Comitê Olímpico Internacional sugere que essa política seja “adotada pelas Federações Internacionais e outros órgãos dirigentes do esporte, como os Comitês Olímpicos Nacionais, as Federações Nacionais e as Associações Continentais, ao exercerem sua responsabilidade na implementação das regras de elegibilidade relativas apenas a eventos do COI”.
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A França se posiciona contrariamente à medida. Esse tipo de teste é proibido no território francês. Atletas de países onde o procedimento é ilegal terão que se submeter aos testes em outros locais quando viajarem para competições internacionais.
Marina Ferrari afirmou em comunicado: “Nós nos opomos à generalização dos testes genéticos, que levanta inúmeras questões éticas, legais e médicas, particularmente à luz da legislação francesa”. A ministra acrescentou: “Esses testes, introduzidos em 1967, foram descontinuados em 1999 devido a fortes reservas da comunidade científica quanto à sua relevância. A França lamenta esse retrocesso”.
Kirsty Coventry, presidente do COI, explicou o procedimento para atletas de países onde o teste é proibido: “Se for ilegal em um país, os atletas terão a possibilidade de serem testados quando viajarem para outras competições. É por isso que estamos dizendo que a política entra em vigor agora, mas será implementada nas Olimpíadas de Los Angeles 28. Assim, teremos tempo para analisar esse processo com todos”.




