Aena vence leilão do Galeão com lance de R$ 2,9 bi e ágio de 210% no Rio

Espanhola superou Zurich Airport e consórcio RIOgaleão em disputa de 13 rodadas e administrará terminal carioca até 2039

Por Redação TMC | Atualizado em
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A espanhola Aena conquistou a concessão do aeroporto do Galeão com lance de R$ 2,9 bilhões. O leilão foi realizado nesta segunda-feira (30/03) na B3, em São Paulo. A empresa administrará o terminal carioca até 2039.

O grupo superou a suíça Zurich Airport e o consórcio RIOgaleão, formado pela Changi (Singapura) e pela Vinci Compass. O critério de julgamento foi o maior valor de outorga, com lance mínimo de R$ 932 milhões.

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Na fase de propostas escritas, Aena e Zurich apresentaram ofertas idênticas de R$ 1,5 bilhão, com ágio de 60,8%. O consórcio RIOgaleão ofertou R$ 934 milhões, ágio de 0,13%.

A definição ocorreu na etapa viva-voz. Após 13 rodadas, a Aena encerrou a disputa com proposta final de R$ 2,9 bilhões, ágio de 210,88%.

Nas duas primeiras rodadas viva-voz, apenas Aena e RIOgaleão apresentaram lances. A Zurich entrou na competição faltando 30 segundos para o término da terceira rodada.

A partir da quarta rodada, o consórcio RIOgaleão parou de ofertar. A competição seguiu exclusivamente entre a empresa suíça e a espanhola.

O Galeão representa um ativo estratégico para a aviação brasileira. O leilão resultou de solução homologada pelo TCU (Tribunal de Contas da União) para reequilibrar economicamente a concessão e viabilizar a retomada dos investimentos.

O terminal integrava a lista dos “contratos estressados”, concessões que acumularam problemas financeiros e pedidos de relicitação. O governo optou por otimizar o contrato e realizar um leilão simplificado para evitar a devolução do ativo.

A nova concessão estabelece a saída da Infraero da operação. O novo modelo determina que o operador repassará à União 20% do faturamento anual até 2039, substituindo o sistema anterior de pagamentos fixos. Ficou dispensada a necessidade de construir uma terceira pista no aeroporto.

O aeroporto foi inicialmente concedido à iniciativa privada em 2013. Atravessou anos de esvaziamento, processo intensificado durante a pandemia. Em agosto de 2025, a Vinci comprou parte da fatia da Changi na concessão atual.

A transição para o novo operador deve ocorrer nos próximos meses, conforme informou Santiago Yus, diretor presidente da Aena Brasil.

A Aena já opera Congonhas, em São Paulo, além de outros 16 terminais aeroportuários, incluindo Campo Grande, Maceió e Aracaju. A empresa administra 17 aeroportos no país, distribuídos por 9 estados e 4 regiões.

Com a incorporação do Galeão, a empresa espanhola se estabelece como a maior operadora aeroportuária do país. A companhia passa a administrar o segundo e o terceiro aeroportos mais movimentados do Brasil: Congonhas e Galeão.

Atualmente, a Infraero detém 49% da concessão do Galeão. Os outros 51% pertencem à Changi e à Vinci. Na nova concessão, 100% da operação ficará nas mãos do parceiro privado.

Em 2025, o Galeão movimentou 17,5 milhões de passageiros, recorde da série histórica iniciada em 2000. O volume representou alta de 23,5% em relação a 2024, quando o terminal recebeu 14,2 milhões de viajantes.

No ano passado, o Galeão teve o terceiro maior fluxo do país. Guarulhos registrou 46,3 milhões de passageiros. Congonhas movimentou 24 milhões. O movimento segue distante da capacidade do terminal, estimada em 37 milhões de passageiros por ano.

O ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, comemorou o ágio de 210%. Ele deixa o ministério nesta terça-feira (31/03) para concorrer a deputado federal. “Isso fortalece a aviação brasileira, é um sinal muito positivo para o mercado internacional, que cada vez mais observa o Brasil como a grande janela de oportunidades para fazer investimentos.”

“Agora vamos ter um conjunto de investimentos que a Aena vai fazer nos próximos anos, melhorando ainda mais a infraestrutura, como está acontencendo no aeroporto de Congonhas”, declarou.

Nos últimos anos, o aeroporto voltou a registrar alta de movimentação. O crescimento foi impulsionado pelas restrições a voos no Santos Dumont, no centro da capital fluminense. A concessão representa a principal concessão aeroportuária do atual mandato de Lula (PT).

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