A seleção brasileira está disputando seus últimos amistosos preparatórios para a Copa do Mundo de 2026 durante esta Data Fifa. Nesta terça-feira (31/03), a partir das 21h (de Brasília), o Brasil encara a Croácia no Camping World Stadium, nos Estados Unidos. Peça surpresa na convocação, o atacante Igor Thiago entrou contra a França e nutre expectativa de ter mais minutos diante dos croatas. Com fama de underdog, o centroavante quase teve um caminho mais próximo aos holofotes quando negociou com o Corinthians, ainda em 2018.
Igor Thiago fez sua formação no tradicional Verê, do Paraná, onde teve teve destaque especialmente no Sub-17, em 2018. Após o brilho regional, ao menos três clubes disputaram a contratação do atacante conforme apurou a TMC: Corinthians, Grêmio e Cruzeiro, que levou o prospecto.
O Corinthians tentou ao menos duas vezes contratar Igor Thiago conforme soube a reportagem.Na virada de 2018 para 2019, o clube ofereceu ao Verê-PR a divisão dos direitos econômicos do atacante, comum para negociações nas categorias de base – o Grêmio também buscou um acordo nesses moldes. Já o Cruzeiro ofereceu um acordo por empréstimo de um ano e pagar por volta de R$ 2 milhões ao fim desta cessão – valor considerado altíssimo para o futebol de base -, o que brilhou mais os olhos dos paranaenses.
Ao fim de 2019, o Cruzeiro foi rebaixado para a segunda divisão e começou a estourar uma grave crise financeira no time mineiro, que culminaria em sua transformação em SAF. Com a possibilidade de não comprar Igor Thiago por falta de dinheiro, o Timão tentou intervir, mas não obteve sucesso e a Raposa acabou ficando com o atacante, que havia marcado 12 gols em 42 jogos no Sub-20 mineiro.
Inclusive, um desses gols foi marcado contra o Corinthians. Durante a Copa do Brasil Sub-20 de 2019, o Timãozinho enfrentou o Cruzeiro nas quartas de final e perdeu pelo agregado de 2 a 0, com Igor Thiago anotando o feito da classificação. O Cabuloso acabaria sendo vice-campeão nacional, perdendo para o Palmeiras na decisão. Além de Igor Thiago, o elenco mineiro também contava com o meia Maurício, hoje no Palmeiras, o zagueiro Cacá, atualmente no Vitória, e o volante Ederson, que está na Atalanta, da Itália.
Perfil fora do usual no Brasil
A TMC buscou entender exatamente o que (não) ocorreu para Igor Thiago assinar com o Corinthians. O que foi relatado é que as conversas foram iniciais e que, naquele momento, não valia disputar o leilão com o Cruzeiro e investir dinheiro pelo perfil do atacante, geralmente desprestigiado no Brasil.
Jogador alto (mede 1,91 metro), forte e de bastante capacidade de finalização, mas sem tanto refino técnico, Igor Thiago foi avaliado como uma aposta. Além de ter difícil desenvolvimento por ser um perfil que demanda maior atenção, naquele momento o Alvinegro contava com um jogador que se destacava no Sub-20 e que detinha as mesmas categorias: Nathan Palafoz. Com 50 gols em 106 jogos pelo Timãozinho, o jogador nutria bons olhares no Parque São Jorge, mas não teve espaço no profissional e atualmente defende o Pouso Alegre, de Minas Gerais.

Inclusive, o caminho alternativo de Igor Thiago antes de brilhar na Premier League foi citado como exemplo dessa dificuldade do Brasil em lidar com atletas desse perfil menos técnicos. O atacante foi aproveitado no profissional do Cruzeiro e, posteriormente, negociado com o Ludogorets, da Bulgária, onde marcou 21 gols e deu sete assistências em 55 jogos. Depois, passou pelo Club Brugge, da Bélgica, registrando 29 gols e seis assistências em 55 aparições.
Desde 2024 no Brentford, da Inglaterra, Igor Thiago acumula 22 gols em 41 jogos. É o atual vice-artilheiro da Premier League, com 19 feitos, três a menos que o norueguês Erling Haaland.
O lado da diretoria do Corinthians
À época, a diretoria do Corinthians era comandada pelo diretor estatutário Carlos Nujud, que concedeu entrevista à TMC e apontou algumas dificuldades que o clube do Parque São Jorge lidava para acertar com atletas juvenis, além de dizer não lembrar de negociar com o jogador – geralmente, o diretor recebe as negociações em estágio mais avançado para “assinar o contrato”.
“Não lembro de ter negociado com o atleta (Igor Thiago). Se perdemos, foi por falta de grana. Palmeiras, Cruzeiro e Athletico-PR eram times muito vorazes na época, então era comum perdermos jogadores. Os captadores traziam informações de jogadores. Dificilmente tirávamos jogadores de times grandes na base por falta de orçamento. Se tinha valores envolvidos, com certeza não foi para a frente”, relatou.
“Procurávamos muitos jogadores para Sub-13 e 14, que não tinham tanta mídia, mas conseguíamos desenvolver para se destacar e render dinheiro lá na frente”, emendou. Foi nessa época, por exemplo, que o volante Breno Bidon passou a defender o Sub-14 alvinegro.
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Em relação a valores, Carlos Nujud destacou que os R$ 2 milhões que o Cruzeiro topou pagar estavam totalmente fora do orçamento da base do Corinthians: “Jamais teríamos R$ 2 milhões para pagar. Se foi conversado, não foi à diante. As negociações eram com divisão percentual: quanto menor o time, mais o Corinthians conseguia pegar. Com time grande você não divide percentual; ou você paga ou você não leva.“
Atualizando pela inflação, R$ 2 milhões seriam R$ 3.177.027,20 em 2026.
Vale lembrar que em 2025, o Corinthians deixou de comprar o zagueiro Caio Garcez, que estava emprestado ao Sub-20, também por não ter R$ 2 milhões. Já nesta temporada, o Alvinegro pagou R$ 300 mil para permanecer com o centroavante Luiz Fábio Favela.




