Moody’s rebaixa nota do BRB e transfere banco para categoria de alto risco

Agência de classificação alterou avaliação de crédito de BBB- para CCC+ devido à fragilidade creditícia e ausência de plano de recomposição patrimonial

Por Redação TMC | Atualizado em
19/11/2025 – Fachada do prédio do banco de Brasília (BRB). Em março de 2025, o conselho do Banco BRB aprovou a compra de 58% do capital do Banco Master, valor estimado em R$ 2 bilhões. O acordo previa que o BRB, uma sociedade de capital e controlada majoritariamente pelo Governo do Distrito Federal (GDF)
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A agência Moody’s alterou a classificação de crédito do Banco de Brasília (BRB) de BBB- para CCC+. Anunciada na quarta-feira (01/04), a mudança transfere a instituição financeira da categoria de médio risco para alto risco de inadimplência. A decisão se baseia na fragilidade creditícia do banco e na ausência de estratégia definida para recomposição patrimonial.

A nota atual permanece sob análise para possível redução adicional. A revisão dependerá das medidas de capitalização implementadas e do desfecho das apurações sobre operações com o Banco Master.

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Esta é a terceira redução consecutiva na avaliação de crédito do BRB em menos de cinco meses. A Fitch havia diminuído a nota de B- para CCC em novembro de 2025. A S&P realizou movimento similar em 19 de março de 2026, rebaixando a classificação de BB para B-.

O banco descumpriu o prazo regulatório para divulgação das demonstrações financeiras de 2025. A data limite era terça-feira (31/03), conforme estabelecido para companhias de capital aberto. A ausência desses dados ampliou as incertezas sobre a situação patrimonial da instituição.

As apurações em andamento indicam que o BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos fraudulentos do Banco Master, instituição de Daniel Vorcaro. O prejuízo real dessas transações permanece indefinido devido à falta de publicação do balanço anual.

O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, informou que formalizará pedido de empréstimo entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões a outras instituições bancárias. Em 24 de março, o banco já havia solicitado R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para capitalização.

A Moody’s justificou o rebaixamento pela necessidade provável de injeção de capital, agravada pela inexistência de plano estruturado para recuperação patrimonial. A agência afirmou que “o patamar atual de rating reflete a nossa visão de que a qualidade de crédito do BRB é muito fraca em relação a outras entidades nacionais e provavelmente está perto de default, sem a concretização de um aporte de capital”.

A piora na classificação “reflete a provável necessidade de injeção de capital, intensificadas pela ausência de um plano de recomposição após perdas com ativos provenientes dos ativos adquiridos do Banco Master”, segundo a Moody’s.

Sobre o volume de recursos necessários, a agência destacou que “sem a divulgação de dados financeiros desde junho de 2025, ainda é incerto o volume necessário de capital, no entanto, ao menos R$ 6,6 bilhões são desejados para a recomposição do patrimônio do banco”.

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