Condenada pelo assassinato dos pais e cumprindo pena em liberdade condicional, Suzane von Richthofen concedeu uma entrevista em que detalha a relação familiar e o crime. O relato percorre desde a infância até o assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen. A decisão de participar do documentário ocorreu após a repercussão da série Tremembé.
De acordo com o jornalista Ulisses Campbell, colunista do jornal O Globo, Suzane afirmou que o ambiente familiar era marcado por falta de afeto e cobranças. “Eu vivia estudando. Era só nota alta. Tirava 9 e 10 em todas as matérias. Não tinha demonstração de amor, nem deles pra gente, nem da gente pra eles. Minha vida era brincar com o meu irmão […] meu pai era zero afeto. Minha mãe ainda tinha um pouco. Volta e meia ela pegava a gente no colo. Mas era muito de vez em quando”, declarou.
Noite do crime
A relação dentro de casa, segundo ela, passou a praticamente não existir: “Minha família não era família Doriana. Longe disso. Meus pais construíram um abismo entre nós”. Suzane alega ter presenciado uma cena de violência doméstica. “Eu era criança. Meus pais botavam a gente para dormir muito cedo. Ouvi uma discussão e desci para ver o que era. Eu vi meu pai enforcando a minha mãe contra a parede. Foi horrível”.
Os executores do crime, Daniel e Christian Cravinhos, também são mencionados na produção. Manfred e Marísia foram assassinados a pauladas em 31 de outubro de 2002. No documentário, a condenada fala sobre o namoro com Daniel e relata que o relacionamento era criticado pela mãe. “Ela falava que ele ia me puxar para o fundo do poço”, disse.
Durante a entrevista, Suzane afirma que começou a mentir para encontrar o namorado e que isso virou um problema em casa. “Virou uma guerra dentro de casa. Qualquer coisa era briga”, relatou. O conflito com o pai escalou até agressão física. “Ele me deu um tapão na cara tão forte que meu rosto virou pro lado”, revelou. Segundo ela, a ideia do assassinato começou a surgir em conversas com o namorado. “Nós não falávamos em matar meus pais. A gente dizia que seria muito bom se eles não existissem”.
Apesar de negar participação no planejamento do crime, ela admite a responsabilidade pelos homicídios: “A culpa é minha. Claro que é minha”. Ao falar sobre a noite do crime, disse que se sentia como “um robô, sem sentimento”. No entanto, reconhece que poderia ter evitado o desfecho. “Se eu parasse pra pensar, aquilo não aconteceria. (…) Quando tudo terminou, o impacto veio de forma imediata. Não tinha mais como voltar atrás. O que eu fiz não tem mais volta”, declarou.
Mudança de nome
Suzane passou 20 anos presa e cumpre o restante da pena, de quase 40 anos, em liberdade condicional. Ela obteve progressão para o regime aberto em janeiro de 2023, após cinco anos de tentativas na Justiça.
Antes disso, cumpria pena em regime semiaberto.
Atualmente, Suzane está casada com Felipe Zecchini Muniz, que conheceu pelas redes sociais em 2023. Ao se casar, adotou o nome Suzane Louise Magnani Muniz. O casal teve um filho em 2024 e mora em Bragança Paulista, no interior de São Paulo. A produção da Netflix aborda a vida atual dela com o marido e o filho.
Documentário inédito
O documentário da Netflix, com cerca de duas horas de duração, ainda não tem data de lançamento. O título provisório é “Suzane vai falar”. A obra já foi apresentada a jornalistas e convidados, e imagens da entrevista têm circulado nas redes sociais.




