O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira (06/04) que o país está “aniquilando” o Irã. O presidente americano estabeleceu que até terça-feira (07/04) como prazo final para a rendição iraniana. Trump fez as declarações durante entrevista a repórteres na Casa Branca. Ele também chamou de “tolos” os americanos contrários à guerra no Oriente Médio.
Durante a entrevista, Trump justificou o conflito como necessário para impedir que o Irã desenvolva armas nucleares. O presidente americano detalhou as consequências caso o país não se renda dentro do prazo estabelecido. Ele mencionou a destruição de pontes, usinas de energia e outras infraestruturas. Trump revelou interesse no petróleo iraniano. Ele ressalvou que a população americana deseja o fim da guerra.
“E eu detesto dizer isso, mas estamos aniquilando o Irã e eles simplesmente não querem se render”, declarou Trump. O presidente acrescentou: “Eles não querem se render, mas vão se render – e se não o fizerem, não terão pontes, não terão usinas de energia, não terão nada. Não vou me alongar mais porque existem outras coisas que são piores do que essas”.
Sobre o petróleo iraniano, Trump afirmou: “Se dependesse de mim, eu pegaria o petróleo, ficaria com o petróleo e ganharíamos muito dinheiro”.
Irã rejeita proposta de cessar-fogo e questiona versão americana
O governo iraniano rejeitou uma proposta de cessar-fogo intermediada por países aliados. Esmail Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, classificou as propostas apresentadas como inadequadas. O diplomata também questionou publicamente a versão americana sobre o resgate do piloto do caça F-15 que caiu em território iraniano na sexta-feira (3).
Baqaei caracterizou as repetidas ameaças de Trump de atacar a infraestrutura civil iraniana como crimes de guerra. Ele alertou que “a negociação é incompatível com ultimatos, crimes ou ameaças de cometer crimes de guerra”.
O porta-voz confirmou que intermediários estão transmitindo as posições das partes envolvidas no conflito. “Não é incomum que intermediários transmitam as posições das partes e, naturalmente, esse processo continua”, afirmou Baqaei. Ele reiterou que “a negociação não pode, de forma alguma, ser compatível com ultimatos, crimes ou ameaças de cometer crimes de guerra”.
Baqaei detalhou o enquadramento jurídico das ameaças americanas. Segundo ele, ameaçar “repetidamente um país com a destruição de sua infraestrutura energética e industrial, ao mesmo tempo que se sinaliza ao regime israelense que ataque alvos civis, seja sozinho ou com a sua cooperação, constitui um crime de guerra tanto sob o direito internacional humanitário quanto sob o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional”.
Segundo a agência de notícias Reuters, o Paquistão entregou a Teerã e Washington uma proposta de cessar-fogo de 45 dias. Baqaei revelou: “Há alguns dias, eles apresentaram propostas por meio de intermediários, e o plano americano de 15 pontos foi replicado pelo Paquistão e alguns outros países amigos”. Ele classificou essas propostas como “extremamente ambiciosas, incomuns e ilógicas”.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã rejeitou a interpretação de que dialogar com mediadores represente um sinal de derrota na guerra. “O fato de a República Islâmica do Irã apresentar suas opiniões de forma rápida e corajosa em resposta a um plano não deve ser considerado um sinal de rendição ao inimigo”, declarou Baqaei. Ele esclareceu que a disposição do país em dialogar com intermediários não representa fraqueza militar ou política.
Sobre a operação americana, Baqaei declarou que “persistem dúvidas e ambiguidades sobre a operação americana”. Ele explicou que “o local onde o avião americano caiu (entre Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad)” fica “a uma distância considerável” de Isfahan, onde o piloto teria sido resgatado. A distância entre os dois locais é de mais de 20 quilômetros. “Portanto, existe a possibilidade de uma operação enganosa para roubar o urânio iraniano” da usina nuclear de Isfahan, explicou.
O diplomata concluiu: “Mas o ponto fundamental é que a operação foi um fracasso flagrante e uma vergonha catastrófica para eles”.
O Irã elaborou sua resposta às propostas de paz transmitidas por mediadores. Baqaei indicou que o país anunciará essa resposta quando julgar necessário. O porta-voz reafirmou que negociações não podem ocorrer sob ameaças. Ele alertou novamente que as ameaças dos Estados Unidos de atacar infraestruturas constituiriam crimes de guerra. Baqaei destacou que o foco do Irã permanece na defesa do país diante dos ataques contínuos. A diplomacia prossegue paralelamente aos esforços militares.




