O Brasil é conservador, ou ao menos é o que mostra o levantamento feito pela Alfa Inteligência. Ao serem questionadas se um candidato com “posições consideradas contrárias aos valores da família brasileira” merecia ser presidente, 67% das pessoas disseram que “não”. Entre os eleitores de Lula, 51% confirmaram a tendência presente na base eleitoral dos candidatos à Presidência de direita.
Representado na pesquisa por Ratinho Jr. (PSD) e Romeu Zema (Novo), o conservadorismo é maior, com 78% e 76%, respectivamente. A pesquisa aconteceu quando o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o governador do Paraná, Ratinho Jr., ainda disputavam a vaga à Presidência pelo PSD, de Gilberto Kassab.

Considerando a candidatura do herdeiro do capital político do pai, Flávio Bolsonaro lidera com a base mais preocupada com os valores da família brasileira, com 90%. Para a pesquisa, foram ouvidas 1.000 pessoas por telefone, e a margem de erro é de 3,1%.
“A pesquisa foi no sentido de entender se um candidato a presidente que não vai ao encontro dos valores da família merecia ser eleito ou não. E de fato, o país tem um eleitor conservador”, explica Emanoelton Borges, CEO da Alfa Inteligência durante a entrevista no TMC 360.
A Alfa definiu os valores da família brasileira usando oito critérios, entre os quais estão: família como prioridade central; fé e espiritualidade; amor e vínculo acima do formato familiar; cuidados com idosos e crianças; respeito, honestidade e responsabilidade; e solidariedade e apoio em momentos difíceis.
Centro está próximo de Lula
O peso do conservadorismo diminui à medida que o candidato se aproxima do centro. Os eleitores de Flávio Bolsonaro são mais preocupados com a pauta do que aqueles que votariam em Zema ou Ratinho Jr., com uma diferença de 14 e 12 pontos percentuais, respectivamente.
Durante a pré-candidatura de Eduardo Leite, ele deixou claras em entrevistas suas posições mais centristas. O peso do conservadorismo no eleitorado de Leite está mais próximo ao da base lulista, com uma diferença de 10%. Enquanto isso, a diferença para Flávio é de quase 30%.
Em entrevista à GloboNews, ele já vinha deixando clara sua postura que buscava aproximar os espectros da direita e da esquerda: a “esquerda não lulista que quer ver uma candidatura com visão de inclusão, de respeito à diversidade, preocupada com os temas sociais”, enquanto mirava a “direita não bolsonarista preocupada com segurança pública e com uma agenda de liberdade econômica”.
Com a saída de Leite da disputa, a escolha do PSD pela candidatura do Ronaldo Caiado e faltando seis meses para o primeiro turno das eleições, o comportamento do eleitorado preocupado com os valores da família brasileira ainda é incerto.
“Vamos ter vários recortes da cabeça do eleitor brasileiro em relação a diversas pautas, não só a política eleitoral, mas principalmente aquilo que move esse ponteiro. São vários motores propulsores que vão, à medida que são acionados, mexendo para cima ou para baixo nessa intenção de voto”, contextualiza Borges.
Atualizada às 9h10




