O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, negou nesta quarta-feira (08/04) ter discutido questões do Banco Master com ministros do Supremo Tribunal Federal. Em depoimento à CPI do Crime Organizado, Galípolo afirmou que os encontros com o ministro Alexandre de Moraes trataram exclusivamente das sanções da Lei Magnitsky aplicadas pelo governo norte-americano contra o magistrado e familiares.
O presidente do BC explicou que manteve relação cordial com Moraes. Galípolo realizou diversos encontros com magistrados do STF ao longo de 2025, todos motivados pelos desdobramentos da legislação norte-americana contra integrantes do Judiciário brasileiro.
“O ministro Alexandre de Moraes, como qualquer ministro do Supremo, sempre tive relação da mais cordial. De todas as crises ao longo de 2025, talvez a mais complexa do ponto de vista sistêmico foi a da Magnitsky. Aí passo a ter uma série de reuniões com ministros. […] Cada um desses ministros que estavam envolvidos tinha discussões que envolviam privacidade e sigilo bancário e financeiro, o qual tenho obrigação de zelar e não dar publicidade. Todos os temas dessas conversas partiam desse tema específico”, declarou.
Durante o depoimento, o presidente do Banco Central relatou uma reunião no Palácio do Planalto com a participação do presidente Lula, do banqueiro Daniel Vorcaro e acionistas do Banco Master. Os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) também estiveram presentes. O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega participou do encontro.
A Lei Magnitsky é uma legislação norte-americana que autoriza o governo dos EUA a aplicar sanções contra estrangeiros acusados de violações graves de direitos humanos ou corrupção. As punições isolam o alvo do sistema bancário internacional vinculado ao dólar.
O governo de Donald Trump incluiu Alexandre de Moraes na lista de sancionados em julho de 2025. A alegação foi de abusos em decisões judiciais, mencionando o que chamaram de “perseguição política”. Viviane Barci de Moraes também foi sancionada. A justificativa foi que ela e as empresas da família atuariam como uma “rede de apoio financeiro” ao magistrado.
Em dezembro de 2025, o governo dos Estados Unidos retirou Alexandre de Moraes e Viviane Barci da lista de sancionados. O comunicado oficial não detalhou os motivos da retirada. A medida devolveu ao casal o acesso ao sistema financeiro internacional e o direito de transitar pelos EUA.
“Todos os temas com a Suprema Corte eram sempre relacionados com isso [Magnitsky], sigilo de familiares, do próprio ministro“, reforçou Galípolo.
O presidente do Banco Central afirmou que acha que nunca falou por telefone com Moraes. Galípolo declarou que jamais conversou com a esposa do ministro do STF.
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Reunião no Planalto tratou de dificuldades de captação do Banco Master
O encontro no Palácio do Planalto foi motivado por uma narrativa disseminada ao longo de 2025. Os acionistas do Banco Master alegavam enfrentar dificuldades para realizar captações no mercado financeiro devido a uma suposta perseguição.
“[A reunião] seguia uma narrativa bastante disseminada em boa parte de 2025, os acionistas do Master relatavam que a dificuldade deles fazerem captação era justamente essa persecução que sofriam do mercado financeiro”, afirmou Galípolo.
Durante o encontro, Lula afirmou que o tema não cabia ao presidente da República, mas ao Banco Central. O presidente disse que o assunto devia ser tratado de “maneira técnica”.
O Ministério da Fazenda classificou o caso do Banco Master como a “maior fraude bancária” do país. O escândalo envolveu operações financeiras fraudulentas relacionadas à venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro ao Banco de Brasília.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025. A autoridade monetária detectou irregularidades, afastou e bloqueou bens dos administradores da instituição controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
A suposta ligação do Banco Master com Alexandre de Moraes e sua família baseia-se em relatórios da Receita e reportagens. Os documentos revelaram um contrato do banco com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, com pagamentos milionários.




