Nove milhões de brasileiros ficaram inadimplentes após promessa de campanha de Lula

País passou de 72,5 mi para 81,7 mi de devedores após o fim do Desenrola, programa de renegociação de dívidas criado por Lula

Por Redação TMC | Atualizado em
Foto: Freepik

Uma das principais promessas de campanha do presidente Lula, o programa federal de renegociação de dívidas batizado de Desenrola nasceu em julho de 2023 e foi encerrado no ano seguinte. Desde então, o país acumulou 9 milhões de novos devedores. Os dados são da Serasa e mostram que o Brasil tinha 72,5 milhões de inadimplentes quando a iniciativa terminou e passou a ter 81,7 milhões em fevereiro de 2026.

O objetivo do programa era enfrentar a inadimplência crescente do período pós-pandemia. Naquele momento, o país contabilizava 71,4 milhões de inadimplentes, número recorde segundo a Serasa, conforme informações da Folha de São Paulo. A inadimplência estava em 4,14%.

A iniciativa durou aproximadamente 10 meses. Durante o funcionamento, o programa diminuiu o contingente de inadimplentes com renda de até dois salários mínimos ou inscritos no Cadastro Único de 25,2 milhões para 23,1 milhões de pessoas. O Desenrola atendeu 15 milhões de brasileiros e renegociou dívidas que somavam R$ 53,2 bilhões.

Uma das primeiras ações foi retirar dos cadastros de negativados brasileiros com dívidas de até R$ 100. Quando a iniciativa foi concluída, o total de devedores de todas as faixas de renda havia subido para 72,5 milhões. O percentual de contas com atraso superior a 90 dias recuou para 3,69%.

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Inadimplência recorde

O país voltou a apresentar elevação no número de pessoas com débitos em atraso após o término do Desenrola. A inadimplência da carteira de crédito total das pessoas físicas, considerando empréstimos imobiliários, atingiu 5,24% em fevereiro de 2026. O índice é o maior em 14 anos.

A taxa básica de juros subiu de 10,50% ao em 2023 para os atuais 14,75%. A maior parte das dívidas são com bancos, principalmente de cartão de crédito, que representam 26,7% do total. Contas de consumo, como água e luz, correspondem a 21,3% das dívidas. Dívidas com financeiras representam 20,3%, segundo dados da Serasa.

Desenrola

A primeira fase do Desenrola concentrou-se em devedores com renda até R$ 20 mil, que renegociaram dívidas diretamente com as instituições financeiras. Um número preliminar previa alcançar até 30 milhões de indivíduos. A segunda etapa teve foco na população de baixa renda.

Especialistas avaliam que o programa ajudou a controlar um crescimento que poderia ser ainda maior do superendividamento. Para eles, o programa foi pensado desde o início para atacar os sintomas e não a raiz do superendividamento. O resultado ficou abaixo do esperado, na avaliação de especialistas, por erros de implementação principalmente na segunda fase do programa.

O Ministério da Fazenda afirmou que a pasta avalia que o Desenrola atingiu seu objetivo. “O valor negociado corresponde a 0,5% do Produto Interno Bruto”, afirmou.

Novo programa

O Ministério da Fazenda estuda um novo programa de renegociação de dívidas. O objetivo é focar principalmente em modalidades mais caras, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia, oferecendo abatimentos de até 80% e refinanciamento do restante. O governo avalia estipular contrapartidas para quem acessar a ajuda federal.

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