Procurador do STJD explica denúncia contra Hugo Souza por críticas à arbitragem

Caio Porto Ferreira explica que goleiro do Corinthians questionou imparcialidade do árbitro ao afirmar que apitou para Palmeiras no clássico

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Rodrigo Coca/Corinthians)

O procurador Caio Porto Ferreira, do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), explicou os motivos da denúncia contra o goleiro Hugo Souza, do Corinthians. O jogador foi denunciado após afirmar que o árbitro Flávio Rodrigues “apitou para uma equipe só” no empate sem gols com o Palmeiras, no domingo (12/04), na Neo Química Arena, em rodada do Brasileirão.

A denúncia foi formalizada com base no artigo 243-F do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. O dispositivo trata de ofensa à honra dos árbitros durante entrevista. A pena prevista varia de 1 a 6 jogos de suspensão. Há também previsão de multa entre R$ 100 e R$ 100 mil.

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Caio Porto Ferreira avaliou que as declarações do goleiro questionavam a honestidade e a imparcialidade do árbitro. Segundo o procurador, ao afirmar que o árbitro teria apitado para o adversário, Hugo Souza colocou em dúvida a imparcialidade da arbitragem.

“Eu entendi que as declarações do goleiro Hugo Souza questionavam a honestidade ou a imparcialidade do árbitro. Ao citar que ele teria apitado para o seu adversário, ele questionou sua imparcialidade. Tenho feito muitos julgamentos em que muitos atletas, membros de comissão técnica, treinadores, questionam de forma muito ofensiva a arbitragem. Existe ali, em campo, um jogador que ele é o líder, é o capitão. É o capitão que tem que conversar com o árbitro, dialogar, esclarecer alguma coisa. Não é após a partida, o goleiro ter que prestar declarações como essa”, disse o procurador do STJD, em entrevista ao canal ESPN.

O procurador defendeu que os atletas deveriam mudar o foco de suas declarações após as partidas. Caio Porto Ferreira manifestou preferência por entrevistas que abordem aspectos técnicos e táticos dos jogos.

“Gostaria de escutar, na entrevista do goleiro, ele dizendo sobre a excelente defesa que ele fez, ele fez uma defesa excelente, eu assisti ao jogo, elogiei a defesa dele. Gostaria que os atletas, ao darem entrevistas, procurassem explicar melhor lances do jogo, jogadas interessantes, para que nós, público, aqui na condição de torcedores, ou de telespectadores, possamos entender melhor a partida. E não ficar discutindo o que o árbitro fez ou deixou de fazer”, afirmou.

Caio Porto Ferreira destacou que questionamentos sobre a arbitragem devem ser feitos pelas diretorias e departamentos jurídicos dos clubes. “O clube tem a sua diretoria, o clube tem o seu jurídico, e na hora certa as pessoas corretas vão comentar o equívoco, ou não, de uma arbitragem. Mas não o atleta no calor do jogo”, disse.

O procurador ressaltou sua atuação na Procuradoria do STJD e a postura adotada em casos semelhantes. Caio Porto Ferreira está há dois anos no órgão. Ele faz parte de um novo grupo de profissionais que chegaram para ajudar na Justiça Desportiva.

Leia mais: Corinthians pode perder 10 pontos por uso de drone e racismo no jogo contra o Palmeiras

“Estou há dois anos na Procuradoria do STJD. Faço parte de um novo grupo de profissionais que chegaram ali pra ajudar na Justiça Desportiva. Todas as vezes que me deparei com atletas fazendo declarações ofensivas a árbitros, pedi a condenação dos atletas por essas ofensivas, por esse tipo de questionamento de idoneidade. Da mesma forma que fui um procurador que pedi a condenação de um árbitro, quando ele deixou de aplicar a regra quando o goleiro segurou a bola durante muito tempo. Fui lá e pedi a condenação e adverti o árbitro também, que a mesma rigidez que a Procuradoria cobra dos atletas, vai cobrar dos árbitros. Só para esclarecer isso, que a Procuradoria pode estar se deparando com fatos reiterados de declarações acintosas, mas a Procuradoria tem sempre atuado com rigor.”

A Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva apresentou denúncias contra seis pessoas e dois clubes após os acontecimentos registrados no Derby. As denúncias abrangem infrações que vão desde agressão física até injúria racial.

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