Trump afirma que acordo nuclear com Irã não terá limite de 20 anos e impedirá armas

Presidente dos EUA declarou em entrevista na Casa Branca que negociação em andamento vai além do prazo de duas décadas mencionado pela imprensa internacional

Por Redação TMC | Atualizado em
Ilustração com bandeiras dos EUA e Irã
(Foto: Dado Ruvic/Illustration/Reuters)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que um novo acordo em negociação com o Irã impedirá o país de possuir armas nucleares sem limite de tempo. A declaração foi dada a repórteres nos jardins da Casa Branca nesta quinta-feira (16/04).

Relatos na imprensa internacional indicaram nos últimos dias que Washington teria proposto a Teerã um acordo para interromper o desenvolvimento de armas nucleares por duas décadas.

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Trump afirmou que o acordo entre os dois países vai além do prazo de 20 anos mencionado pela imprensa. “Temos uma declaração muito forte [do Irã]. Eles não terão… além de 20 anos… eles não terão armas nucleares. É mais do que isso. Não tem limite de 20 anos”, disse ele.

O Irã não comentou diretamente esse ponto das negociações. A rede de TV Al Jazeera, do Catar, informou que Teerã recusou a proposta de interromper o enriquecimento nuclear por 20 anos. O país fez uma contraproposta que envolveria a interrupção, ao menos parcial, de seu programa nuclear.

Negociadores se reuniram no último sábado (11/04) em Islamabad, no Paquistão. As negociações fracassaram. EUA e Irã estão sob um cessar-fogo de duas semanas. Ainda não há um acordo de paz definitivo entre os dois países.

Críticas ao papa e objetivo americano

Durante a mesma entrevista, Trump criticou o papa Leão XIV por suas críticas à guerra. O presidente americano acrescentou que seu objetivo é fazer com que o Irã não desenvolva armas nucleares.

“Não tenho nada contra o papa”, disse. “Ele pode dizer o que quiser, mas eu tenho o direito de discordar dele. [O papa] tem que entender que o Irã é uma ameaça muito grande. Eu sou super a favor do Evangelho, mas não posso permitir que o Irã tenha uma arma nuclear”.

Posição iraniana sobre enriquecimento de urânio

Na quarta-feira (15/04), Teerã insistiu em seu direito de enriquecer urânio, pelo menos para fins pacíficos. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, reafirmou que ninguém pode “tirar” do Irã o seu direito de fazer um uso pacífico da energia nuclear.

Baqaei afirmou que a porcentagem desse enriquecimento é “negociável”.

Nesta quinta-feira (16/04), o Irã negou que os Estados Unidos e Israel tivessem conseguido destruir sua Marinha e sua Força Aérea durante os ataques realizados durante a guerra. Trump repete com frequência essa afirmação.

O comandante do Exército iraniano, Amir Hatami, disse em pronunciamento na TV estatal que a frota do país “segue firme e o inimigo se mantém a uma distância de 300 quilômetros”.

O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que as Forças Armadas americanas estão “prontas para retomar o combate se o Irã não aceitar um acordo”. Em uma coletiva de imprensa no Pentágono, o secretário de Trump fez provocações ao Irã.

Hegseth disse que o país afirma ter o controle do Estreito de Ormuz. Ele alega que o Irã não tem mais Marinha, que teria sido completamente destruída durante os ataques dos EUA e Israel.

Questionado por um jornalista sobre o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, Hegseth afirmou: “Acredita-se que esteja ferido, mas vivo”. Há um mês, ele disse que o iraniano estava escondido em um bunker e provavelmente “desfigurado”.

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