De Neymar a Neto: 5 jogadores históricos que ficaram fora da Copa do Mundo

A TMC recorda cinco casos emblemáticos de jogadores brasileiros que ficaram fora da Copa do Mundo por diversos motivos

Por Victor Godoy | Atualizado em
Romário ficou fora da Copa do Mundo de 2002, assim como outros vários jogadores históricos
(Foto: Mônica Zarattini/AGE/Estadão Conteúdo)

A Copa do Mundo 2026 está chegando e, com ela, a dúvida: Neymar deve ou não ser convocado? Historicamente, diversos jogadores que marcaram suas épocas ficaram fora do Mundial – inclusive o camisa 10 do Santos!

A TMC, portanto, separou cinco jogadores históricos que ficaram de fora da lista final de alguma Copa do Mundo. Confira!

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Neymar, então promessa, em 2010

Maior revelação do futebol brasileiro no século XXI, Neymar começou a se destacar pelo Santos a partir de 2009, levantando forte apelo popular para sua convocação na Copa do Mundo de 2010.

Embora brilhasse os olhos dos brasileiros, o então atacante foi preterido por Luís Fabiano, Robinho, Nilmar e Grafite. Anos mais tarde, Dunga justificou que deixou Neymar de fora pois não deu tempo para dar rodagem ao jogador na Seleção entre 2009 e no primeiro semestre de 2010.

“Mas voltando sobre o aspecto técnico e tático, não ia fazer diferença. Em 2010, o que nos atrapalhou foi que eu perdi dois jogadores da mesma posição. O Elano, que se machucou, e o Ramires, que tomou o cartão. Não foi das outras posições onde jogava o Neymar, o Ganso, que ia modificar“, disse Dunga em entrevista ao Correio 24 Horas em 2025.

Em 2010, Neymar lideraria o Santos ao título da Copa do Brasil e, em 2011, da Copa Libertadores. Já o Brasil acabou caindo para a Holanda nas quartas de final.

Fora o iminente astro brasileiro, os meias Paulo Henrique Ganso e Ronaldinho Gaúcho também ficaram de fora e levantaram críticas ao treinador. O atacante Adriano Imperador também levantou questionamentos e Dunga respondeu que o jogador ficou de fora por seu comportamento extra-campo. “Chega um certo momento em que eu não posso perder o comando da seleção por algumas atitudes. Eu adoro o Adriano, ele iria nos ajudar muito mas algumas experiências nos servem, não posso cometer os mesmos erros do passado”, disse o treinador na divulgação da lista.

Herói da Copa em 94, dispensado em 2002

Inegavelmente, Romário foi o principal atacante do Brasil entre os anos 1990 e o início dos anos 2000. Foram 42 gols na temporada de 2001 e 26 gols no primeiro semestre de 2002. Ainda assim, acabou ficando de fora da Copa do Mundo por um desentendimento com o técnico Felipão.

A confusão foi em 2001, quando o Baixinho pediu dispensa da Copa América alegando que seria impossível disputar o torneio devido a uma cirurgia nos olhos. Contudo, apresentou-se normalmente para a pré-temporada do Vasco, que coincidia com o campeonato continental.

Sem Romário, o Brasil passou por um vexame e foi eliminado nas quartas de final, a primeira fase do mata-mata, ao perder por 2 a 0 para Honduras. Desde então, o atacante, de então 36 anos, nunca mais foi chamado mesmo com a pressão popular.

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Amigo de Romário, Edmundo ficou fora em 94

Embora pareça irônico olhando em 2026, Romário e Edmundo nutriam bastante amizade em 1994. O Baixinho fazia um lobby para o atacante de então 23 anos ser chamado para a Copa do Mundo. Contudo, o técnico Parreira e o coordenador técnico Zagalojá contava com o elenco praticamente fechado. No final, foram chamados:

  • Bebeto;
  • Romário;
  • Muller;
  • Viola;
  • Ronaldo (que ainda não era) Fenômeno.

Bebeto e Romário já eram nomes inquestionáveis na convocatória e a disputa de Edmundo era com os outros três. Para o Baixinho, ele deveria entrar na vaga de Muller. “Não tenho nada contra Parreira ou Zagalo. Não me entenderam direito quando eu disse que prefiro o Edmundo ao Muller. Embora tenha jogado mal em duas Copas, Muller é um grande campeão pelo São Paulo“, disse na época em entrevista à Folha de São Paulo.

No fim, o Brasil ficou com o título da Copa do Mundo e Edmundo com o Campeonato Brasileiro de 1994. Foi nesta edição do Brasileirão, inclusive, que o atacante se firmou como um dos principais nomes da geração.

Ídolo do Corinthians, cortado da Seleção

Principal jogador do Corinthians e do futebol brasileiro em 1990, o hoje apresentador Neto guiou o Timão ao seu primeiro título do Brasileirão. Porém, não foi o suficiente para ganhar uma vaga na Copa do Mundo daquele ano.

Já destaque do Corinthians no primeiro semestre, havia a expectativa da Fiel que o meia fosse chamado. Contudo, dois fatores pesaram para ele ficar de fora. Primeiro, a mídia em geral criticava a pouca participação defensiva e a baixa intensidade de Neto, alegando que ele “sumia” dos jogos. Ao mesmo tempo, o astro corintiano não nutria bom relacionamento com o técnico Sebastião Lazaroni.

“Ele teve uma passagem não muito fértil, não muito profissional, aqui no Bangu, e, sinceramente, apesar de achar uma grande carência num meia criativo, não via nele a dinâmica. Não via nele a necessidade para o que exigia o futebol naquele momento, e nunca esteve muito no nossos radar. Acabou tendo um dos maiores sucesso após a Copa de 90, com o Corinthians“, avaliou, em 2020, Sebastião Lazaroni em entrevista ao UOL.

Em 1990, o Brasil acabou sendo eliminado para a Argentina nas oitavas de final. Mais tarde naquele ano, Neto seria decisivo nas quartas, nas semis e na final do Brasileirão. O Xodó da Fiel foi o artilheiro do Corinthians na competição, com nove gols, e vice-garçom, com duas assistências.

Renato Gaúcho: a indisciplina que custou a Copa de 1986

Em preparação para a Copa do Mundo de 1986, a seleção brasileira estava concentrada na Toca da Raposa, em Belo Horizonte, antes de rumar à Europa para disputar amistosos contra a Alemanha Ocidental e a Hungria. No elenco preparatório, Renato Gaúcho, que brilhava pelo Grêmio, era um que gerava bastante expectativa. Ali, porém, o atacante sacramentaria sua ausência no Mundial.

No dia 23 de fevereiro, um domingo, o elenco brasileiro ganhou folga para conhecer a capital mineira. A única regra era que os torcedores retornassem até as 23h. Todos seguiram a decisão, exceto Renato Gaúcho e o zagueiro Leandro, do Flamengo.

Enquanto todos os jogadores retornavam às 23h, a dupla saía para Savassi, famoso bairro boêmio de Belo Horizonte de acordo com uma reportagem do O Globo, que acompanhou a transgressão da dupla. Ambos foram para um bar e depois para a balada Brodway. Retornaram à concentração apenas às 3h30.

Na saída da balada, Leandro ainda passou mal. “Enquanto Renato namorava no carro de uma das acompanhantes, Leandro, sentado no meio fio, sentia o reflexo da mistura de bebidas, já que a Broadway não vendia cerveja”, disse a reportagem da época.

Ambos retonaram e a ideia de Renato Gaúcho era pular o muro da Toca da Raposa, porém Leandro tinha medo de altura. Assim, entraram pela porta da frente da concentração e acabaram sendo delatados pelos vigias.

O técnico Telê Santana ficou furioso e acabou deixando Renato Gaúcho de fora da Copa do Mundo. Leandro foi chamado, mas abriu mão da vaga como apoio ao atacante e nem Zico conseguiu convencê-lo. “A cada dia que passa, admiro mais o Zico. Ele me pediu em prantos que seguisse com ele. Mas pedi que, pelo amor de Deus, ele respeitasse minha decisão”, disse o zagueiro na ocasião.

Sem Renato Gaúcho e Leandro, o Brasil acabou sendo eliminado nas quartas de final da Copa, para a França, nos pênaltis.

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