A rivalidade Brasil-Argentina é uma das poucas instituições inabaláveis do futebol mundial. Ou era. Esta semana, Buenos Aires não pareceu o território hostil de costume para um camisa 10 brasileiro. Pelo contrário: o que se viu no Nuevo Gasómetro, durante o empate em 1 a 1 entre San Lorenzo e Santos pela Copa Sul-Americana, foi uma rendição coletiva ao fenômeno Neymar.
Desde o desembarque da delegação santista, o clima foi atípico. No hotel, gritos de “¡Neymar, Neymar!” abafaram as tradicionais provocações. No aquecimento, o impensável: aplausos vindos da hinchada do San Lorenzo. A idolatria argentina pelo craque, que renovou com o Peixe até o final deste ano mirando a Copa do Mundo, atingiu um ápice que nem mesmo Ronaldinho Gaúcho, em seus tempos áureos, experimentou em solo portenho.
O “Efeito Neymar” nos Jornais Argentinos
A imprensa local, geralmente ácida com brasileiros, trocou o sarcasmo pela reverência. O impacto da atuação de Neymar — que iniciou a jogada do gol de Gabigol com um passe magistral para Rollheiser — dominou as manchetes.
Diário Olé “Um craque em todos os sentidos. Neymar cuidou de cada detalhe e deixou todos com um sorriso no rosto, mesmo após o empate.”
Clarín “A noite em que o Nuevo Gasómetro se rendeu ao 10 do Brasil. Neymar foi tietado por rivais e crianças em uma cena inédita.”
La Nación “Mais do que futebol: a lição de carisma de Neymar em Buenos Aires. O brasileiro quebrou a barreira do ódio histórico.”
A Voz das Redes: O que dizem os “Hermanos”
Nos espaços de comentários e nas redes sociais, o tom dos torcedores argentinos variou entre a admiração técnica e o reconhecimento da postura do jogador, que abraçou um torcedor que invadiu o campo e distribuiu chuteiras aos adversários.
“Odiamos o Brasil, mas é impossível odiar o futebol. Neymar joga com a alegria que perdemos por aqui. É o último dos mágicos” — Juan Pablo M., torcedor do San Lorenzo (via site do Olé).
“Ver Neymar abraçando aquela criança em cadeira de rodas antes do jogo vale mais que qualquer resultado. Ele é um gigante. Que sorte têm os santistas de tê-lo de volta.”
— Mariana R., via X (antigo Twitter).
“Messi o ama, e se Leo o ama, nós também. É simples assim.”
— Comentário popular no fórum do TyC Sports.
Neymar parece ter entendido que, nesta etapa da carreira, sua imagem é tão valiosa quanto seu drible. Ao ser ovacionado na Argentina, ele não apenas ajuda o Santos na caminhada continental, mas constrói uma ponte diplomática rara. Se o objetivo era chegar à Copa de 2026 com o status de ícone global inquestionável, a “invasão” de carinho em Buenos Aires prova que o plano está funcionando.
Como bem definiu um cronista local: “Neymar não veio à Argentina para jogar futebol; ele veio para ser perdoado por ser brasileiro. E conseguiu.”