Trump ignora Congresso e promete manter guerra contra o Irã sem autorização

Lei americana prevê que o presidente dos Estados Unidos pode iniciar um conflito, mas após 60 dias é necessário aval do Legislativo

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Jonathan Ernst/Arquivo/Reuters)

O governo Donald Trump pretende ignorar o prazo legal para pedir ao Congresso mais tempo ou encerrar a guerra contra o Irã. A legislação americana prevê que o presidente dos Estados Unidos pode iniciar um conflito militar em situações excepcionais, mas após 60 dias é necessário aval do Legislativo para continuar a ação ou então ela deve ser encerrada.

Legalmente o chamado “relógio de 60 dias” termina nesta sexta-feira (1º). No entanto, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou na quinta-feira (30) que o governo não cumprirá a exigência legal para interromper as operações militares no Oriente Médio. Hegseth argumentou que “o relógio dos 60 dias está suspenso” em razão do cessar-fogo vigente desde 7 de abril.

A administração Trump avalia realizar novos ataques contra o Irã para forçar Teerã a negociar um acordo.

Um alto funcionário do governo americano informou à AFP que “as hostilidades iniciadas no sábado, 28 de fevereiro, terminaram”. O mesmo funcionário acrescentou que “não houve troca de disparos entre as forças armadas dos Estados Unidos e o Irã desde a terça-feira, 7 de abril”.

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A Constituição americana determina que somente o Congresso possui autoridade para declarar guerra. Mas a legislação de 1973 criou uma exceção permitindo ao presidente iniciar intervenção militar limitada em situações emergenciais.

O governo Trump interpreta que a vigência do cessar-fogo interrompe a contagem do prazo legal de 60 dias. As operações militares começaram em 28 de fevereiro.

Primeiras conversas de paz aconteceram em 11 de abril, na cidade de Islamabad. As negociações encontram-se num impasse, apesar da trégua.

Reações do Irã ao conflito

O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, declarou nesta quinta-feira que os Estados Unidos sofreram uma “derrota vergonhosa” diante do Irã. O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, denunciou o bloqueio americano como uma “extensão das operações militares”.

O regime iraniano promete uma reação “dolorosa e prolongada”. Na noite de quinta-feira, Teerã ativou seu sistema de defesa antiaérea contra drones e aeronaves cuja procedência não foi revelada.

As agências iranianas Tasnim e Fars informaram que “o barulho da defesa antiaérea cessou após cerca de 20 minutos de atividade e de resposta contra pequenas aeronaves”. As agências acrescentaram que Teerã se encontrava novamente em uma “situação normal”.

Bloqueio de Ormuz e impactos econômicos

Washington estabeleceu um bloqueio aos portos iranianos em retaliação ao bloqueio, por Teerã, do Estreito de Ormuz. Antes do conflito, um quinto dos hidrocarbonetos consumidos mundialmente transitava pelo Estreito de Ormuz.

O duplo bloqueio provocou disparada nos preços do petróleo. O barril de Brent ultrapassou os US$ 126 na quinta-feira, atingindo o patamar mais elevado desde o início de 2022, durante a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Os efeitos do bloqueio de Ormuz manifestam-se cada vez mais na economia mundial, entre escassez gradual de vários produtos, pressões inflacionárias e revisões para baixo do crescimento. O diretor da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, avaliou que “o mundo enfrenta a mais grave crise energética de sua história”.

António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas, emitiu uma advertência sobre os impactos econômicos decorrentes da paralisação do estreito. O dirigente mencionou o “estrangulamento” da economia global provocado pela situação.

Em mensagem publicada na plataforma X, Guterres defendeu medidas diplomáticas. “Agora é o momento do diálogo, de soluções que nos afastem da beira do abismo e de medidas capazes de abrir um caminho para a paz”, afirmou.

Operações militares israelenses realizadas no sul do Líbano resultaram em pelo menos 17 mortes na quinta-feira. Israel realiza as operações para combater o movimento pró-iraniano Hezbollah.

As operações militares conduzidas por Israel no Líbano resultaram em mais de 2.500 mortos desde o início de março, segundo dados das autoridades. O número de deslocados ultrapassa um milhão de pessoas no mesmo período.

A representação diplomática americana em Beirute solicitou um encontro entre o presidente libanês e Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense. A embaixada caracterizou o Líbano como estando “em um ponto de inflexão”.

Na publicação feita no X, a embaixada declarou: “Seu povo tem a oportunidade histórica de retomar o controle de seu país e forjar seu futuro”.

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