MP-SP faz novo pedido de intervenção judicial no Corinthians por aprovação de contas de 2025

Promotor Cassio Conserino alega irregularidades processuais na aprovação do balanço financeiro de 2025 do Corinthians

Por Victor Godoy | Atualizado em
(Foto: José Manoel Idalgo/Agência Corinthians)

Cassio Conserino, promotor do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), protocolou um novo pedido de intervenção judicial no Corinthians no último domingo (03/05). Desta vez, o requerimento se dá pela aprovação das contas de 2025 do clube.

A informação foi inicialmente divulgada pelo Blog do Macedo e confirmada pela TMC, que teve acesso ao documento assinado por Cassio Conserino. Nele, o promotor do MP-SP trabalha o pedido se balizando em algumas frentes, principalmente falhas processuais dos órgãos internos do clube.

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Cassio Conserino fundamenta o pedido de intervenção judicial pela Lei Geral do Esporte (14.597/2023). Ele cita principalmente “gestão temerária” para justificar, além de comentar sobre a administração da Neo Química Arena e alguns adiantamento de receita que o Corinthians fez, o que pode “comprometer as receitas” do clube.

Dentre os motivos para criticar a gestão, o promotor do MP-SP também comenta o fato da economia da transação tributária ter sido incluída no balanço de 2025, apesar do acordo ter sido firmado em 2 de fevereiro deste ano. Essa ação gerou economia de aproximadamente R$ 200 milhões.

Os órgãos fiscalizadores do SCCP aprovaram as contas com as ressalvas da auditoria e não se debruçaram sobre como resolver as questões. Enfim, orquestraram um simulacro de controle. As ressalvas apontadas pela auditoria são extremamente graves e revelam gestão temerária, demonstram afronta a Lei Geral do Esporte por parte do SCCP e implicam necessária instauração de inquérito civil para análise da viabilidade de intervenção judicial na entidade desportiva, como forma de resgatar a regularidade e integridade administrativa”, concluiu Cassio Conserino.

O balanço financeiro de 2025 do Corinthians registrou déficit de R$ 143,4 milhões, além do aumento da dívida do clube para R$ 2,723 bilhões.

Assim, o promotor do MP-SP pede a abertura de um inquérito civil para analisar a situação atual e uma intervenção judicial no Corinthians. Esse, vale lembrar, é o quinto pedido de uma intervenção no Parque São Jorge, o segundo de Cassio Conserino.

Abaixo, a TMC detalha algumas das principais críticas aos Conselhos Fiscal, de Orientação e Deliberativo do Corinthians.

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Flhas do Conselho Fiscal do Corinthians

Primeiro, Cassio Conserino cita a aprovação com ressalvas das contas de 2025 por parte do Conselho Fiscal (CF) como uma falha pelo fato do órgão não se aprofundar nas ressalvas. “A aprovação com ‘ressalva’ vira vício quando encobre grave irregularidade e existe indícios de fraude, maquiagem contábil e gestão temerária no relatório da auditoria independente. Essa aprovação com ‘ressalva’ equivale a uma típica ‘simulação de controle'”, escreveu o promotor.

Além disso, o representante do MP-SP contesta a participação de Haroldo Dantas na reunião do Conselho Fiscal que aprovou as contas de 2025 do Corinthians. Embora seja presidente do CF, Haroldo foi afastado do cargo pela Comissão de Ética do clube por sua proximidade com o Osmar Stabile, mandatário alvinegro. Desta maneira, não deveria estar presente no pleito, tampouco assinar o documento final.

Críticas do MP-SP ao Conselho de Orientação

Cassio Conserino ainda cobrou o Conselho de Orientação (Cori) do Corinthians por não investigar a participação de Haroldo Dantas na votação. Este órgão também recomendou ao Conselho Deliberativo a aprovação das contas de 2025 do clube.

“Falou:
1. Identificar quais foram as ressalvas e dizer o porquê que não comprometem o conjunto a justificar a aprovação;
2. A ausência de plano de correção. Não se apontou como as ressalvas seriam sanadas ou corrigidas;
3. Desalinhamento com a função fiscalizatória, porquanto o Conselho não apenas aprova ou reprova, mas, sim, deve ORIENTAR, corrigir rumos e impor medidas ou providências“, destacou o promotor.

Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians em desacordo com ele mesmo

Embora o CF e o Cori tenham recomendado a aprovação do balanço financeiro de 2025, a Comissão de Finanças do Conselho Deliberativo recomendou a reprovação dele. “Pela análise superficial da votação depreendese que a maioria esmagadora dos conselheiros vitalícios aprovaram as contas e houve disputa mais apertada entre os conselheiros trienais. Vale dizer que, entre os conselheiros vitalícios, apenas Roque Citadini, Dalton Gioia, Miriam Athiê e Romeu Tuma Junior manifestaram-se contra a aprovação das contas”, escreveu o promotor do MP-SP.

“Os tais conselheiros que aprovaram as contas ignoraram as deliberações da própria Comissão de Finanças do Conselho Deliberativo e, em tese, devem ser responsabilizados”, complementou.

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