A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Pelotas indiciou oito alunos do Instituto Federal Sul-Riograndense (IFSul) por suspeita de elaborar e divulgar uma lista com classificação sexual de estudantes da instituição. Os indiciados têm entre 15 e 17 anos. Eles responderão por ato infracional análogo ao crime de cyberbullying.
A lista foi compartilhada pela primeira vez em 21 de março de 2026 por meio de aplicativos de conversa. O inquérito foi concluído em 30 de abril.
A investigação identificou 29 meninas e um menino como vítimas do ranking. O material continha fotografias de alunas do campus de Pelotas. As estudantes eram categorizadas com palavras de cunho sexual, estabelecendo uma ordem de preferência.
A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos indiciados. Aparelhos eletrônicos foram periciados durante a investigação.
Segundo a delegada Lisiane Mattarredona, responsável pelo caso, ainda é aguardado o término da perícia para identificar outras possíveis infrações. A princípio, apenas o cyberbullying é investigado.
A lei que criminaliza o cyberbullying foi sancionada em janeiro de 2024. A legislação prevê penas que vão de multa até dois a quatro anos de reclusão para réus maiores de idade, conforme a gravidade do caso.
O IFSul suspendeu os alunos envolvidos logo após o caso ser descoberto. “Os estudantes seguem com afastamento cautelar e estão sendo atendidos pela instituição através de estudos domiciliares”, informou o instituto via assessoria.
As vítimas receberam acompanhamento de psicólogos e de serviço social. A instituição se reuniu com os pais das estudantes para acolhimento.
O campus passou a sediar ações de conscientização contra cyberbullying e misoginia. Em 29 de abril, foi realizada uma palestra sobre assédio moral e sexual para docentes e técnico-administrativos.
Nesta quarta-feira (06/05) está previsto um evento organizado pelo clube de física do instituto. A atividade vai debater o espaço de mulheres na ciência e combate ao assédio em ambientes de pesquisa.
O IFSul informou que aguarda o desfecho do caso nas instâncias competentes para se manifestar. A reportagem não conseguiu identificar as defesas dos envolvidos.
Por envolver menores de idade, os nomes não foram divulgados pela polícia e pela escola com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
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