Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) ocuparam, na tarde desta quinta-feira (07/05), o prédio da reitoria da instituição, na Cidade Universitária, zona oeste da capital paulista. O ato ocorre em meio à greve estudantil, que já dura mais de três semanas, e tem como principal objetivo pressionar a gestão do reitor Aluisio Segurado a retomar as negociações com o movimento.
Desde as primeiras horas da manhã, os alunos bloquearam os acessos ao prédio da administração central da universidade. Por volta das 14h, manifestantes iniciaram um protesto no local e, cerca de duas horas depois, a tensão aumentou. Sem avanço nas tratativas, estudantes pularam grades e derrubaram o portão de entrada da reitoria aos chutes para acessar o edifício.
A Polícia Militar foi acionada para acompanhar a situação. Em nota, a USP afirmou que lamenta “profundamente a escalada de violência” e classificou a invasão como um ato com danos ao patrimônio público.
Segundo a universidade, as forças de segurança foram chamadas para “evitar a ocupação de outros espaços e prevenir maiores danos patrimoniais”. A instituição também declarou que irá manter o funcionamento regular das unidades de ensino, pesquisa, museus e órgãos administrativos.
Já o Diretório Central dos Estudantes (DCE) afirma que a ocupação ocorreu de forma pacífica e acusa a reitoria de interromper unilateralmente as negociações sobre as reivindicações da greve.
“O que pedimos não é nada demais: queremos a reabertura da mesa de negociação”, declarou o DCE em nota.
O movimento estudantil também rejeitou acusações de vandalismo e criticou as condições de permanência oferecidas aos alunos em situação de vulnerabilidade social. Entre as reclamações estão o valor das bolsas, problemas na alimentação e questões relacionadas à moradia estudantil.
Impasse sobre bolsas estudantis
O principal ponto de divergência entre estudantes e reitoria envolve o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Papfe), voltado a alunos em vulnerabilidade socioeconômica.
Atualmente, o auxílio integral pago pela USP é de R$ 885 mensais, enquanto estudantes que vivem na moradia estudantil recebem R$ 330. A proposta apresentada pela reitoria prevê reajuste pelo índice IPC-Fipe, elevando os valores para R$ 912 e R$ 340, respectivamente.
Os estudantes, porém, reivindicam que a bolsa integral seja ampliada para R$ 1.804, valor equivalente ao salário mínimo paulista.
De acordo com a USP, o Papfe atende atualmente 17.587 estudantes de graduação e pós-graduação. O orçamento destinado à assistência estudantil em 2026 — incluindo bolsas, moradia, restaurantes universitários e serviços de saúde — é de R$ 461 milhões.
Propostas da reitoria
Além do reajuste dos auxílios, a gestão da universidade apresentou outras medidas para tentar encerrar a paralisação. Entre elas estão:
- Criação de uma nova bolsa para estudantes ingressantes em situação de vulnerabilidade;
- Ampliação dos serviços dos restaurantes universitários;
- Oferta de café da manhã e almoço aos sábados;
- Contratação de novos funcionários;
- Criação de grupos de trabalho com participação estudantil.
A reitoria também propôs debates sobre a adoção de cotas para pessoas transexuais e indígenas no vestibular e sobre regras para utilização de espaços pelos centros acadêmicos.
Apesar das medidas, o movimento estudantil considera insuficiente a proposta relacionada às bolsas e mantém a pressão pela retomada das negociações.
Leia mais: STF suspende julgamento sobre revisão da vida toda após pedido de vista de Moraes




