O governo brasileiro descartou qualquer conexão entre as nove ocorrências de hantavírus registradas no país em 2026 e as infecções confirmadas a bordo do navio MV Hondius. O Ministério da Saúde divulgou a informação nesta sexta-feira (08/05). A pasta informou que o surto na embarcação está sob investigação sem impacto direto para o território nacional.
O Brasil contabilizou nove casos da doença ao longo deste ano. A distribuição geográfica abrange Minas Gerais com dois registros, Rio Grande do Sul com dois casos, Paraná com duas confirmações e Santa Catarina com uma ocorrência. Dois casos não tiveram a unidade da Federação identificada.
O Ministério da Saúde explicou que não existem registros de circulação do vírus Andes no território brasileiro. Esta variante está relacionada aos episódios de transmissão interpessoal documentados na Argentina e no Chile. A mesma variante circula no navio MV Hondius.
A doença apresenta transmissão viral de pessoa para pessoa, conforme os casos confirmados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O Ministério da Saúde avaliou que o risco global de disseminação do hantavírus permanece baixo.
No Paraná, as confirmações envolvem um homem de 34 anos, residente em Pérola d’Oeste, e uma mulher de 28 anos, moradora de Ponta Grossa, nos Campos Gerais. O estado investiga outros 11 casos suspeitos. A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) já descartou 21 suspeitas.
A Sesa realiza monitoramento permanente da circulação do hantavírus no estado. A vigilância ativa de roedores silvestres ocorre em áreas rurais com confirmação de caso em humano. A secretaria estadual reforçou que a doença está controlada no Paraná.
Situação no cruzeiro MV Hondius
A OMS relatou mortes associadas ao vírus no cruzeiro MV Hondius. Ao menos três pessoas morreram durante a viagem. A organização confirmou cinco dos oito casos suspeitos de hantavírus.
Na quarta-feira (06/05), outros três passageiros doentes desembarcaram próximo a Cabo Verde para atendimento médico. Após os desembarques, o cruzeiro seguiu viagem rumo às Ilhas Canárias. A embarcação transporta cerca de 150 pessoas a bordo, entre passageiros e tripulantes de 23 nacionalidades.
A OMS alertou que novos casos da doença podem surgir nos próximos dias. A entidade avaliou que a situação tende a permanecer sob controle caso as medidas de saúde pública continuem sendo adotadas.
O hantavírus é uma doença respiratória rara. A principal via de transmissão ocorre por meio de contato com excreções de roedores silvestres ou superfícies contaminadas. As excreções incluem urina, fezes e saliva. A transmissão entre pessoas foi relatada com o vírus em contatos próximos e prolongados, embora seja rara.
O período de incubação é de duas a quatro semanas. Os sintomas iniciais são febre, dor de cabeça, dores musculares, calafrios e problemas gastrointestinais. A doença pode evoluir para dificuldade respiratória e hipotensão. Não existem vacinas ou tratamentos específicos. A sobrevida aumenta com o suporte médico precoce e internação em UTIs.
Leia mais: Paraná confirma 2 casos de hantavírus e investiga outros 11




