Ed Motta negou ter proferido ofensas xenofóbicas contra nordestinos durante confusão no restaurante Grado, no Rio. O cantor prestou depoimento na 15ª DP (Gávea) e afirmou que o incidente começou após uma cobrança inesperada de taxa de rolha.
Segundo a delegada Daniela Terra, titular da delegacia, o músico responde por injúria e está classificado como testemunha no caso de lesão corporal. A investigação apura se houve ofensas discriminatórias durante a briga.
Nicholas Guedes Coppim, que estava com o cantor, é investigado por ter arremessado uma garrafa e desferido um soco. A garrafa quebrou um relógio na parede do estabelecimento.
A confusão teve início quando o gerente cobrou taxa de rolha da mesa onde estava Ed Motta. O grupo havia levado sete garrafas para o local.
O barman explicou que a cobrança era padrão, mas o cantor reagiu mal à situação. Durante a discussão, Ed Motta arremessou uma cadeira ao chão, segundo relatos.
O incidente se estendeu para uma mesa vizinha, onde estavam dois casais — total de seis pessoas envolvidas. Foi nesse momento que Nicholas Guedes Coppim teria arremessado a garrafa e agredido Diogo Couto com um soco.
Versões sobre ofensas
Um funcionário do restaurante alegou ter ouvido ofensas xenofóbicas durante a confusão. Segundo o relato, teriam sido proferidas frases como “Olha, o babaca está rindo. Nunca vi esse babaca rindo. Está sempre de mal com a vida, esse paraíba” e “Cambada de paraíba“.
Em depoimento, Ed Motta negou ter chamado qualquer pessoa de “paraíba” ou ter feito comentários discriminatórios. O cantor afirmou que a situação saiu do controle por causa da cobrança inesperada.
A defesa do músico também negou que ele tenha cometido agressão física. Segundo os advogados, Ed Motta apenas reagiu verbalmente à cobrança que considerou abusiva.
Investigação em andamento
A delegada Daniela Terra informou que ouvirá testemunhas indicadas pela defesa de Ed Motta. O dono do restaurante e o homem que arremessou a garrafa também serão ouvidos pela polícia.
O advogado de Nicholas Guedes Coppim afirmou que o cliente está disponível para prestar esclarecimentos. A defesa de Diogo Couto, que teria sido agredido, repudia atos de violência.
Imagens e depoimentos indicam que houve agressão com garrafada e soco durante o incidente. A polícia investiga a sequência exata dos fatos.
Relação com o estabelecimento
Ed Motta é cliente do restaurante Grado há aproximadamente 9 anos. Na mesma noite da confusão, o cantor enviou mensagens ao sócio do estabelecimento.
Segundo o depoimento do músico, ele ficou sabendo do desfecho completo da confusão apenas na manhã seguinte. Em uma das mensagens, teria escrito: “Nunca mais volto aqui“.
Próximos passos
A polícia ainda precisa ouvir todas as testemunhas indicadas pelas partes envolvidas. A investigação busca esclarecer se houve crime de injúria racial ou xenofobia.
O caso de lesão corporal contra Nicholas Guedes Coppim segue em paralelo. A delegacia aguarda laudos e análise de imagens para concluir o inquérito.
Ed Motta segue como testemunha no processo de agressão física, mas responde diretamente pela acusação de injúria. O prazo para conclusão das investigações não foi divulgado.
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