Bruno Rizzi
Bruno Rizzi Mais sobre o autor

Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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O famoso “affordability”, elemento chave para um presidente que busca a reeleição

Governo aposta em crédito e renegociação de dívidas para ampliar apoio político e reduzir desgaste durante a corrida eleitoral

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia alusiva ao lançamento do Move Aplicativos – linha de crédito para motoristas de aplicativo e taxistas, na Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, em São Paulo
(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O conceito de “affordability” se baseia na capacidade da renda de cobrir as despesas do dia a dia. O termo pode ser traduzido para o português como “poder de compra” ou até mesmo “custo de vida”. E, como dizia a campanha de Bill Clinton nas eleições presidenciais americanas de 1992: “É a economia, estúpido!”. Afinal, a sensação de bem-estar econômico da população está diretamente relacionada à aprovação – ou não – de um governo.

Em ano eleitoral, essa tem sido uma preocupação latente do Governo Federal. A linha de crédito para motoristas de aplicativo e as iniciativas voltadas a consumidores adimplentes fazem parte da estratégia para manter a percepção de bem-estar econômico e reduzir desgastes políticos. No Planalto, a avaliação é de que não há perspectiva de interrupção dessa agenda no curto prazo.

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O governo entende que medidas desse tipo ajudam a preservar os atuais índices de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente entre a classe média consumidora, mais pressionada pelo comprometimento da renda com parcelas e crédito. Apesar das resistências do setor bancário, o Planalto demonstra disposição para avançar sobre o público adimplente, numa tentativa de ampliar o alcance político dessas iniciativas.

As dívidas rurais também entraram no centro da estratégia do governo, sobretudo em relação a um setor historicamente mais alinhado à oposição. O projeto de renegociação das dívidas do agronegócio pode avançar no Senado ao longo da semana, após um entendimento mais claro entre a bancada ruralista e o senador Renan Calheiros, relator da proposta.

Ainda há divergências sobre a destinação de receitas extraordinárias ligadas à alta do petróleo. Parte da bancada agropecuária defende que esses recursos também sejam usados para abatimento e reorganização das dívidas do setor, enquanto o governo tenta preservar verbas para outras frentes prioritárias.

A equipe econômica apresentou ressalvas ao texto em tramitação, mas o impacto recente de eventos climáticos extremos – especialmente as enchentes no Rio Grande do Sul — ampliou o apelo político da proposta entre os senadores.

Nesse contexto, integrantes do governo avaliam que a combinação entre expansão do crédito, renegociação de dívidas e medidas de alívio financeiro deve permanecer no centro da estratégia econômica e eleitoral do Planalto até 2026. A aposta é transformar iniciativas de impacto direto no bolso da população em capital político, ampliando pontes tanto com a classe média urbana quanto com setores do agronegócio.

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