O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (20/05) que falará com o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, uma atitude sem precedentes para um líder dos EUA que pode abalar as relações entre Washington e a China.
Os presidentes dos EUA e de Taiwan não se falam diretamente desde 1979, quando Washington transferiu o reconhecimento diplomático de Taipé para Pequim.
Pequim nunca renunciou ao uso da força para assumir o controle da ilha governada democraticamente e se incomoda com o apoio militar de longa data dos EUA a Taiwan.
“Falarei com ele”, disse Trump a jornalistas na Base Conjunta Andrews, em Maryland. “Falo com todo mundo… Vamos trabalhar nisso, no problema de Taiwan.”
É a segunda vez em uma semana que Trump afirma que pretende conversar com Lai, afastando a interpretação de que a primeira declaração teria sido um deslize após reunião com o presidente chinês, Xi Jinping.
Segundo uma fonte familiarizada com o assunto, a ligação entre os líderes ainda não foi oficialmente agendada.
A Casa Branca e a embaixada chinesa em Washington não comentaram o tema até o momento.
Relação “incrível” com Xi
Autoridades do governo Trump destacaram que o republicano aprovou mais vendas de armas para Taiwan do que qualquer outro presidente dos EUA.
Ao mesmo tempo, Trump também tem elogiado repetidamente sua relação com Xi Jinping, classificando-a como “incrível”.
Após viagem recente a Pequim, Trump afirmou que ainda não decidiu se autorizará uma venda de armas de até US$ 14 bilhões para Taiwan, o que aumentou as dúvidas sobre o apoio norte-americano à ilha.
Qualquer contato direto entre líderes dos EUA e Taiwan costuma irritar a China, que considera o território parte de seu país.
Apesar de receber positivamente a possibilidade de diálogo, Lai demonstrou preocupação com a linguagem usada por Trump ao citar o “problema de Taiwan”, expressão semelhante à utilizada por Pequim.
Lai, considerado separatista pelo governo chinês, afirmou que, se conversar com Trump, dirá que Taiwan busca manter o status quo no Estreito de Taiwan e que a China é responsável por elevar a tensão militar no Indo-Pacífico.
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“Nenhum país tem o direito de anexar Taiwan. O povo de Taiwan busca um modo de vida democrático e livre”, afirmou Lai.
Pela legislação norte-americana, os EUA são obrigados a fornecer meios para a defesa de Taiwan, e parlamentares republicanos e democratas têm pressionado o governo Trump a manter as vendas de armas.
Taiwan também possui importância estratégica para os EUA por ser um dos maiores parceiros comerciais do país e peça-chave na produção global de semicondutores avançados.
- Por Reuters




