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Especialista na cobertura do Corinthians, Marco Bello Jr. acumula experiência em grandes coberturas como Olimpíadas e Copas do Mundo. Traz notícias de primeira mão e o acompanhamento diário do cotidiano alvinegro.

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Novo TransferBan é mais uma vergonha deixada pela gestão Augusto Melo ao Corinthians

Dívida pela contratação de Martínez gera punição da FIFA, expõe a fragilidade financeira do clube e mostra que a conta das contratações sem dinheiro continua chegando

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Parque São Jorge
(Foto: Agência Corinthians)

O novo transfer ban sofrido pelo Corinthians por causa da dívida com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela contratação do volante José Martínez, é mais uma vergonha deixada pela gestão Augusto Melo. E talvez nem seja a última.

O caso é conhecido. Em agosto de 2024, o Corinthians contratou Martínez no mesmo pacote de reforços que trouxe nomes como André Carrillo, André Ramalho, Hugo Souza e Memphis Depay. Na época, o clube aceitou pagar US$ 1,7 milhão ao Philadelphia Union. Pagou apenas US$ 200 mil na assinatura do acordo e parcelou o restante. O problema é que a primeira parcela venceu em dezembro daquele ano e não foi paga.

O clube americano acionou a FIFA e venceu a disputa. Em setembro de 2025, o Corinthians foi condenado a quitar US$ 1,425 milhão, além de juros de 15% ao ano. O clube recorreu ao CAS, a Corte Arbitral do Esporte, mas a dívida continuou sem pagamento. Agora veio a consequência: um transfer ban de três janelas consecutivas.

O mais grave não é nem a punição em si. É a repetição da história. O Corinthians contratava jogadores sem ter condições reais de honrar os compromissos assumidos. Parecia que alguém acreditava que a conta nunca chegaria. Chegou. E continua chegando. Hoje a dívida de Martínez virou transfer ban. Amanhã pode ser outro processo. Depois outro. E assim sucessivamente.

Osmar Stabile herdou esse cenário. Ainda em 2025, chegou a falar sobre tentativas de acordo com os dirigentes do Philadelphia Union, mas aparentemente não houve avanço suficiente para evitar a punição. O resultado é que o Corinthians fica impedido de registrar atletas no futebol profissional e também nas categorias de base nas próximas três janelas de transferências. A próxima abre em 20 de julho e vai até 11 de setembro.

E o problema está longe de terminar em Martínez. O Corinthians também corre risco de nova punição por uma dívida de aproximadamente R$ 6 milhões com o Midtjylland, da Dinamarca, pela contratação de Charles. Há ainda valores pendentes com o Talleres pela compra de Rodrigo Garro, além de parcelas a serem quitadas ao Toluca, pela chegada de Pedro Raul. Todos negócios fechados na gestão Augusto Melo.

É aí que está o verdadeiro tamanho do problema. Não se trata apenas de uma dívida específica. Trata-se de um modelo de gestão que gastava sem pagar e empurrava a responsabilidade para o futuro. Agora esse futuro chegou. E quem está pagando a conta não é Augusto Melo. É o Corinthians.

Enquanto não encontra dinheiro para quitar os débitos, o clube segue recorrendo a empréstimos, antecipações de receitas e outras operações para ganhar tempo. Só que ganhar tempo não resolve o problema. Apenas adia a próxima cobrança.

Por causa da administração de um presidente que já sofreu impeachment, o Corinthians vive hoje uma situação que seria impensável há alguns anos. Um clube do tamanho do Corinthians, impedido de contratar por não cumprir compromissos assumidos no mercado. Mais do que uma punição esportiva, é uma mancha institucional. E uma vergonha que o torcedor não deveria estar sendo obrigado a passar.

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