A chefe da embaixada de Israel no Brasil, Rasha Athamni, foi convocada pelo Itamaraty na tarde desta quinta-feira (21/05) para prestar esclarecimentos sobre imagens que mostram ativistas com as mãos amarradas e as testas encostadas no chão. A convocação ocorreu por volta das 16h, quando a diplomata foi recebida pelo embaixador Clélio Crippa, diretor do Departamento de Oriente Médio.
Quatro brasileiros estavam entre os ativistas interceptados durante operação contra flotilha que seguia rumo à Faixa de Gaza. As imagens foram divulgadas por Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional de Israel e figura da ultradireita do país.
Em nota oficial divulgada na quarta-feira (20/05), o Itamaraty classificou o tratamento dispensado aos ativistas como degradante. Segundo o comunicado: “O governo brasileiro deplora o tratamento degradante e humilhante dispensado por autoridades israelenses, em particular pelo Ministro da Segurança Interna de Israel, Itamar Ben Gvir, aos participantes da Flotilha Global Sumud”.
A convocação da diplomata israelense representa um passo formal de protesto diplomático. Na prática, isso significa que o governo brasileiro considera o episódio grave o suficiente para exigir explicações diretas da representação de Israel no país.
Rasha Athamni comanda a embaixada israelense em Brasília como encarregada de negócios desde outubro de 2025. O posto de embaixador permanece vago desde a saída de Daniel Zonshine.
O diplomata Gali Dagan chegou a ser indicado para assumir a embaixada na capital brasileira, mas não recebeu o aval do Palácio do Planalto. Do lado brasileiro, a situação é similar: a embaixada em Tel Aviv está sem embaixador titular desde o começo de 2024.
A ausência de embaixadores em ambos os países reflete o agravamento das relações diplomáticas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o premiê Benjamin Netanyahu. Sem representantes de alto escalão, a capacidade de diálogo e resolução de crises fica comprometida.
O episódio da flotilha adiciona mais tensão a uma relação já fragilizada. A divulgação das imagens por um ministro da ultradireita israelense e a resposta formal do Brasil indicam que a crise pode se aprofundar ainda mais nos próximos dias.
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