Um brasileiro de 51 anos foi preso preventivamente e indiciado por estupro, agressão e exposição sexual de crianças em Paris. Ele atuava como monitor de música em pré-escolas dos distritos 7 e 15 da capital francesa. O Ministério Público confirmou a prisão na sexta-feira (22/05).
Ao todo, cerca de 30 famílias registraram queixas contra o suspeito. As crianças afetadas tinham entre 2 e 4 anos à época dos fatos, segundo relatos dos pais à imprensa.
Câmera escondida expôs o caso
O suspeito já estava no radar das autoridades desde novembro, após alertas de famílias. Mesmo assim, em dezembro, ele foi remanejado para outra unidade escolar no 15º distrito — sem ser afastado das funções.
A virada no caso veio com uma reportagem exibida por uma TV francesa no final de janeiro. Gravada com câmera escondida, o material mostrou uma monitora beijando uma criança na boca. Ao assistir, os pais reconheceram o suspeito e passaram a trocar informações.
O advogado Louis Cailliez afirmou representar famílias de duas escolas cujos filhos foram vítimas do monitor. Segundo ele, ambas as famílias registraram queixa por estupro.
O que os pais relataram
Um pai descreveu como o filho, que frequentava as oficinas de música à tarde, revelou os abusos após a exibição da reportagem. Segundo ele, o monitor obrigava a criança a dar beijos nas partes íntimas. O pai também relatou que o suspeito e uma monitora agiam em dupla: isolavam as crianças, forçavam contato físico e registravam as cenas em fotos ou vídeos.
Outra família relatou que a filha ficou muito abalada após falar sobre o que viveu. Os pais disseram estar aliviados com as detenções, mas preocupados com o futuro da criança — se ela conseguirá confiar e ter uma vida emocional saudável.
Um dos pais afirmou não saber há quanto tempo as violências ocorriam, pois o filho frequentava a escola há quase dois anos e o suspeito já estava lá antes.
Três detidos, famílias sem apoio
Além do brasileiro, outras duas pessoas foram presas: um homem cuja identidade não foi divulgada e uma monitora mulher, que foi liberada mas permanece sob supervisão judicial. A operação policial levou 16 pessoas para interrogatório.
As famílias relataram não ter recebido suporte psicológico institucional durante o processo. A Associação de Pais Pequenos Heróis de Saint-Do manifestou indignação tanto com os suspeitos quanto com as instituições, citando falhas sucessivas da prefeitura e da escola.
O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, se reuniu com as famílias, pediu desculpas em nome da prefeitura e reconheceu que houve falha na proteção das crianças. Após o afastamento dos monitores denunciados, a equipe responsável pelas atividades extracurriculares foi renovada.
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