O apresentador Luciano Huck participou, neste sábado (23/05), do Fórum Esfera, evento organizado pelo grupo Esfera Brasil em Guarujá (SP), na Baixada Santista. Em um debate mediado por Camila Camargo, CEO do Esfera Brasil, Huck compartilhou suas perspectivas sobre a realidade socioeconômica do país, acumuladas ao longo de seus 26 anos de carreira na televisão, e defendeu a urgência de furar as “bolhas” que dividem a sociedade civil e a classe política.
Com um tom pragmático e, ao mesmo tempo, otimista, o apresentador traçou um paralelo entre o que chamou de “Brazil com Z” — o ecossistema financeiro e político restrito — e o “Brasil com S”, a realidade vivida pela maioria da população nas periferias e pequenas cidades.
Huck ressaltou que seu ponto de vista sobre o país não foi moldado em universidades de elite como Harvard, Stanford ou USP, mas sim no diálogo direto com a população. Ao analisar o cenário econômico atual, ele questionou os conceitos tradicionais de macroeconomia e redefiniu os pilares da subsistência brasileira.
“O verdadeiro tripé econômico do Brasil é Uber, bolo de pote e venda de cosméticos. E os três passam pelo pequeno empreendedor. Não um empreendedor que escolhe, que levanta capital; é o empreendedorismo da exaustão. As famílias querem empreender para parar de sofrer”
Para Huck, a iniciativa privada tem limitações claras quando o assunto é a redução da desigualdade abissal que o país enfrenta. Ele enfatizou que a transformação real depende estruturalmente da qualidade da gestão pública.
“A gente pode juntar todos os empresários do Brasil que a gente não consegue mexer no ponteiro da desigualdade. Quem mexe no ponteiro da desigualdade de verdade é o governo”, destacou o apresentador.
De acordo com o comunicador, ignorar a política significa abrir mão de um país mais justo. “Seja o candidato em que você gostaria de votar. Eu acredito na política como ferramenta de transformação.”
Direita x esquerda: “Jogar com as duas pernas”
Ao abordar temas como educação e polarização ideológica, Huck apontou que o maior gargalo do Brasil não é a escassez de recursos, mas sim a incapacidade de execução. Ele lembrou que os investimentos em educação cresceram nos últimos 20 anos, mas sem o retorno esperado em eficiência.
O apresentador também propôs uma trégua na polarização entre esquerda e direita, defendendo uma agenda mais equilibrada. Para ele, a esquerda possui uma missão nobre de justiça social e oportunidades, mas peca por uma “execução temerária, a qualquer preço”. Já a direita defende “com razão” um Estado enxuto e o livre mercado, mas falha ao “ignorar a realidade abissal” da desigualdade.
“Por que a gente não pode jogar com as duas pernas, curar o melhor dos dois lados, ter um projeto mais equilibrado onde de fato a gente cuide das pessoas?”, questionou.
Huck encerrou sua participação reafirmando que se mantém um “otimista convicto” e que sua obrigação atual é construir pontes entre mundos que hoje não se comunicam, visando deixar um legado de oportunidades para a próxima geração.
O Fórum Esfera chega à sua quinta edição, no litoral paulista, consolidado como um dos principais eventos de diálogo sobre os temas essenciais para o futuro do Brasil, reunindo os principais líderes, gestores públicos e autoridades para abordar questões estruturais indispensáveis para o crescimento sustentável do país.




