Flamengo e CBF trocaram notas públicas e escancararam uma disputa que vai além de uma data no calendário. O ponto de partida é a 18ª rodada do Brasileiro, marcada para o dias 30 e 31 de maio, com o Rubro-Negro obrigado a entrar em campo sem quatro atletas convocados para a Seleção Brasileira.
O clube carioca afirma que a situação fere a isonomia da competição. Segundo o Flamengo, não há paridade de forças quando uma equipe precisa jogar sem diversos jogadores cedidos a seleções nacionais — caso também do Palmeiras. A time rubro-negro aponta ainda um problema estrutural: a CBF acumula o papel de organizadora do Brasileiro e de gestora da Seleção às vésperas da Copa do Mundo, o que, na visão do clube, gera conflito de interesses.
A confederação rebateu as críticas com um argumento direto: o calendário do Brasileiro 2026 foi apresentado, debatido e aprovado no Conselho Técnico da Série A. A entidade afirmou que, em nenhum momento desse processo, o Flamengo sugeriu alteração ou adiamento da 18ª rodada.
A CBF também revelou o que motivou o pedido do clube. Após ser eliminado da Copa do Brasil, o Flamengo passou a pedir a remarcação da partida contra o Coritiba para 4 de agosto, data que havia ficado livre em sua agenda. A confederação rejeitou o pedido por entender que a mudança beneficiaria apenas um clube afetado pelas convocações: o próprio Flamengo.
Vale lembrar que a Fifa já havia definido, em maio de 2025, a data de liberação obrigatória dos jogadores para a Copa do Mundo 2026. Ou seja, o conflito entre o calendário doméstico e o torneio de seleções era previsível desde então.
Liga nacional na pauta
O Flamengo aproveitou a nota para defender uma mudança mais profunda. O clube argumenta que a criação de uma liga organizada no Brasil é mais do que urgente para resolver problemas estruturais como esse.
A CBF, por sua vez, já agendou uma reunião com 40 clubes das Séries A e B para a segunda-feira. O encontro vai discutir justamente o futuro modelo de organização do futebol brasileiro. Apesar das críticas, o Flamengo reconheceu avanços na gestão do presidente Samir Xaud à frente da entidade.
Enquanto o debate segue, o Rubro-Negro — que tem 45 milhões de torcedores segundo o próprio clube — enfrenta o Palmeiras neste sábado com o elenco incompleto. O jogo acontece, o calendário não muda, e a briga por quem manda no futebol brasileiro continua.
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