Jamil Chade
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Nome de referência no jornalismo internacional, Jamil Chade é jornalista e escritor, com vasta experiência em coberturas globais. Como correspondente internacional, analisa as forças que regem a política mundial, com foco especial nas Nações Unidas e nos temas urgentes que definem as relações entre as grandes potências.

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Peso do Silêncio: O que revela a ausência de Flávio Bolsonaro na agenda de Donald Trump

Donald Trump é conhecido por seu comportamento excêntrico e por frequentemente ignorar a liturgia tradicional do cargo

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Donald Trump faz expressão com os lábios durante entrevista no Salão Oval
(Foto: Evan Vucci/Reuters)

A tão alardeada reunião entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esbarra em um fato incontestável: o encontro simplesmente não existe nas agendas oficiais do governo norte-americano.

Ao analisar os compromissos divulgados tanto pela Casa Branca quanto pelo Departamento de Estado, constato que a diplomacia de Washington não reservou nenhum espaço formal para receber o parlamentar brasileiro. Desde que a pré-campanha de Flávio anunciou a viagem a convite de Trump, a Casa Branca manteve um silêncio revelador e não confirmou a recepção.

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Os documentos oficiais são claros e dimensionam o peso da visita. O dia do presidente Donald Trump está preenchido: exames médicos de rotina pela manhã, três reuniões fechadas sobre política interna à tarde — sem cobertura da imprensa — e um jantar para encerrar a agenda. Nenhuma única linha cita Flávio Bolsonaro.

No Departamento de Estado, a situação é idêntica. Com o secretário Marco Rubio em viagem internacional pela Índia e Armênia, a responsabilidade recai sobre seu vice, Christopher Landoll, que cuida da América Latina. A agenda de Landoll prevê reuniões com a diplomacia canadense, mas ignora o senador brasileiro.

Isso significa que o encontro está definitivamente descartado? Não necessariamente. O fato de não constar na pauta oficial não impede uma reunião extraoficial. É preciso lembrar que Flávio Bolsonaro não viaja na condição de chefe de Estado ou como representante oficial de uma comitiva do Parlamento brasileiro.

Além disso, Donald Trump é conhecido por seu comportamento excêntrico e por frequentemente ignorar a liturgia tradicional do cargo. Um encontro fora das agendas, nos bastidores, ainda é uma possibilidade.

Contudo, na capital do poder global, a ausência de um registro oficial é a mensagem mais contundente que se pode enviar. A exclusão de Flávio Bolsonaro das agendas da Casa Branca e do Departamento de Estado demonstra que, para as instituições americanas, essa visita não tem peso de diplomacia de Estado.

Se o encontro ocorrer nas sombras, será nos termos e conveniências políticas de Trump, evidenciando que, no xadrez de Washington, a viagem do senador brasileiro não passa de uma movimentação periférica.

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