Governistas tentam emplacar apelido ‘Tariflávio’ após novas tarifas dos EUA

Aliados de Lula intensificam ofensiva contra Flávio Bolsonaro e associam senador às medidas anunciadas por Donald Trump contra produtos brasileiros

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(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

A nova rodada de tarifas anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros abriu uma frente de ataque do governo e de parlamentares aliados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Nas redes sociais, governistas passaram a divulgar o apelido “Tariflávio”, numa tentativa de vincular o parlamentar e o bolsonarismo às medidas adotadas pela Casa Branca.

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A estratégia ocorre após Lula, durante agenda em Goiás, mencionar publicamente publicações feitas por Flávio Bolsonaro e pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em que ambos agradeceram a Trump pelas ações adotadas contra o Brasil.

Um dos principais articuladores da ofensiva foi o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). Em publicação nas redes sociais, o parlamentar afirmou que integrantes da oposição estariam colocando interesses políticos acima dos interesses nacionais.

“Quem vai lá fora pedir interferência contra o próprio país não está defendendo o Brasil. Está colocando disputa política acima do interesse nacional”, escreveu. Na mesma postagem, Lindbergh utilizou as expressões “O PIX é nosso”, “Tariflávio” e “Bolsonaros inimigos do Brasil”.

A bancada petista no Senado também aderiu à campanha. Em mensagem publicada nas redes sociais, o perfil oficial do grupo classificou o senador como “Tariflávio, inimigo do Brasil”.

Outro integrante da base governista que reforçou o discurso foi o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS). Segundo ele, o bolsonarismo teria atuado para pressionar o Brasil no exterior.

“O Tariflávio e o bolsonarismo fazem o contrário: vão lá fora pedir pressão contra o próprio país”, declarou. Pimenta afirmou ainda que o chamado tarifaço pode afetar empregos, exportações e setores da economia nacional, especialmente no Rio Grande do Sul.

Já o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, adotou um tom ainda mais duro. “Mais uma vez, a família Bolsonaro age contra o Brasil. Traidores da pátria”, escreveu.

Na mesma linha, o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) afirmou que as tarifas impostas pelos Estados Unidos não atingem diretamente o governo Lula, mas o conjunto da economia brasileira.

“O novo tarifaço de Trump, estimulado pela articulação do clã Bolsonaro nos Estados Unidos, não atinge Lula, atinge o Brasil”, declarou o parlamentar. Segundo Zarattini, as medidas podem impactar empresas, trabalhadores e empregos ligados às exportações para o mercado norte-americano.

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A adoção coordenada do termo “Tariflávio” mostra uma tentativa de aliados do Planalto de transformar a repercussão das medidas americanas em um desgaste político para o senador e para o grupo liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, reforçando o discurso de defesa da soberania nacional adotado pelo governo federal.

A campanha governista ocorre no mesmo dia em que Flávio Bolsonaro divulgou uma carta às autoridades americanas pedindo que os Estados Unidos não apliquem tarifas contra o Brasil. O senador afirmou que eventuais sanções teriam impacto sobre a economia brasileira e atingiriam trabalhadores e empresas do país.

Leia mais: Trump posta foto e elogia Flávio Bolsonaro uma semana após visita à Casa Branca


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