Entenda por que os irmãos Doué defendem seleções diferentes

Guéla, do Strasbourg, marcou pela Costa do Marfim e chutou a bandeirinha com símbolo da Federação Francesa; Désiré estava no banco pela França

Por Redação TMC | Atualizado em
Guéla Doué comemora o primeiro gol da Costa do Marfim no amistoso contra a França, disputado no Stade de la Beaujoire, em Nantes
Guéla Doué comemora o primeiro gol da Costa do Marfim no amistoso contra a França, disputado no Stade de la Beaujoire, em Nantes (Foto: Gonzalo Fuentes/Reuters)

A partida entre França e Costa do Marfim, disputada nesta quinta-feira (04/06), chamou atenção por um encontro especial dentro de campo. De um lado estava Guéla Doué, defensor da seleção marfinense. Do outro, Désiré Doué, uma das principais promessas do futebol francês. Apesar de serem irmãos, os dois atuam por seleções diferentes.

A explicação está na origem familiar dos jogadores. Nascidos em Angers, na França, os irmãos são filhos de mãe francesa e pai marfinense. Por conta da dupla nacionalidade, ambos tinham o direito de representar internacionalmente qualquer um dos dois países.

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Désiré Doué optou por defender a França, país onde nasceu e construiu toda a sua formação esportiva. O meia-atacante do Paris Saint-Germain percorreu todas as categorias de base da seleção francesa, conquistou a Eurocopa Sub-17 em 2022, participou dos Jogos Olímpicos de Paris e acabou promovido à equipe principal comandada por Didier Deschamps.

Guéla Doué escolheu representar a Costa do Marfim, decisão ligada às raízes paternas. O jogador do Strasbourg estreou pela seleção principal marfinense em março de 2024 e rapidamente se firmou entre os convocados. Em seu segundo jogo pela equipe africana, marcou o gol da vitória sobre o Uruguai em um amistoso.

O confronto entre França e Costa do Marfim marcou a primeira vez que os irmãos estiveram em lados opostos em uma partida de seleções. No amistoso realizado em Nantes, Guéla foi um dos destaques ao marcar o gol de empate dos marfinenses após aproveitar uma falha da defesa francesa. Na comemoração, chutou a bandeirinha de escanteio — e, junto com ela, a flâmula da França.

Uma família de futebol

A trajetória dos irmãos está ligada a uma família profundamente conectada ao esporte. O tio deles, Noumandiez Désiré Doué, tornou-se um dos árbitros mais respeitados da África e foi o primeiro marfinense a apitar uma partida de Copa do Mundo, no Brasil, em 2014.

A família também conta com outros jogadores profissionais. Entre eles está o primo Yann Gboho, revelado pelo Rennes e atualmente no Toulouse, além de outros parentes que atuam no futebol europeu.

Formação no Rennes e carreiras diferentes

Os dois irmãos passaram pelas categorias de base do Rennes, considerado um dos principais centros de formação de atletas da França. Eles chegaram a atuar juntos no time principal antes de seguirem caminhos distintos.

Guéla Doué, nascido em 2002, construiu sua carreira como lateral-direito e defensor de características mais físicas. Após se destacar no Rennes, transferiu-se para o Strasbourg em 2024, onde ganhou espaço na Ligue 1 e chamou a atenção da seleção marfinense.

Désiré Doué, três anos mais novo, destacou-se como meia-atacante pela habilidade, velocidade e capacidade de drible. Depois de conquistar a medalha de prata olímpica com a França, foi contratado pelo Paris Saint-Germain por cerca de 50 milhões de euros. No clube parisiense, consolidou-se como uma das principais promessas do futebol europeu.

Apesar da forte ligação familiar, Désiré e Guéla Doué mantêm uma rivalidade competitiva dentro de campo. Os irmãos nunca esconderam o desejo de superar um ao outro nos confrontos. Um dos episódios mais comentados ocorreu durante um duelo entre PSG e Strasbourg, quando Désiré aplicou uma “caneta” no irmão mais velho, lance que viralizou entre torcedores franceses nas redes sociais.

O amistoso entre França e Costa do Marfim, em 04/06, levou essa disputa a um novo patamar ao proporcionar o primeiro encontro dos dois em seleções nacionais, transformando uma rivalidade fraterna em um confronto internacional.

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