Carlos Nobre prevê ondas de calor na Copa e aponta falta de ação da Fifa para reduzir emissões

Para especialista brasileiro, ações da entidade para mitigar impacto climático são “muito tímidas”

Por Felipe Mendes | Atualizado em
(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

*Colaborou Renan Honorato

As questões climáticas devem se tornar assunto também durante a Copa do Mundo 2026 ainda que o recorde de emissões de gases do aquecimento global seja ofuscado por gols e lances dos craques do Mundial. Em entrevista à TMC, o especialista Carlos Nobre prevê ondas de calor durante o verão na América do Norte, fenômeno que vem se tornando cada vez mais comum no planeta. 

“Sem dúvida, nesta época do ano, de verão forte, nos meses de junho e julho, é muito improvável que não haverá nenhuma onda de calor nas cidades da Copa, nos Estados Unidos, no México e até mesmo no Canadá”, projeta o meteorologista e pesquisador que já participou do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC). 

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As ondas de calor causam mais de 500 mil mortes por ano no mundo. Somente no Brasil a estimativa é de 10 mil óbitos por ano. “Pouquíssimos países do mundo estão preparados para o que mais leva à morte por extremos climáticos do mundo, que são as ondas de calor. É uma enorme preocupação.”

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Carlos Nobre critica a falta de ação da Fifa quanto aos cuidados com os torcedores. “O risco é muito grande em havendo essas ondas de calor durante a Copa porque muitos torcedores são idosos. Essas são as populações mais vulneráveis, principalmente pessoas acima de 80 anos. E até agora eu não vi nenhuma política de proteger as pessoas vulneráveis às ondas de calor que estiverem nas arquibancadas”, afirmou, em entrevista à TMC.

O especialista acredita que uma possível solução para o futuro seria a Fifa mudar a data da Copa. “Talvez a Fifa tenha que começar a pensar, por exemplo, em mudar a Copa do verão para o inverno. Foi o que aconteceu na Copa realizada no Brasil, em 2014. Com esta crise global, a Fifa deveria pensar em ter Copa só no inverno.”

Falta de preocupação com emissões de CO2 

Na avaliação de Carlos Nobre, a entidade máxima do futebol mundial apresenta “iniciativas muito tímidas” para reduzir suas emissões de CO2 na atmosfera. 

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“Eu nunca vi a Fifa falar na redução das emissões. Ainda não vi nenhuma ação específica. A Fifa olha mais para a questão de saúde. Por isso, mudou a data da Copa do Catar, em 2022, para novembro e dezembro. Não vi ainda grandes políticas.” 

Para Nobre, a Fifa está ficando para trás em comparação a outras grandes entidades esportivas, como o Comitê Olímpico Internacional (COI), a NBA e até a Fórmula 1, todas com planos e metas de redução de emissão a médio e longo prazo. “A Fifa vem se preocupando mais com questões de saúde, não com as questões climáticas globais.” 

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Fifa garante medidas

Questionada pela reportagem da TMC, a entidade disse estar “comprometida com a proteção da saúde e da segurança de jogadores, árbitros, torcedores, voluntários e funcionários”. E garantiu estar preparada para “os riscos relacionados ao clima”, que faria parte do seu planejamento geral do torneio.

Em relação ao calor, a federação diz que aplicará um “modelo de mitigação em níveis para a Copa do Mundo” e que contará com “apoio meteorológico dedicado durante todo o torneio”. Entre as medidas já efetivadas estão os intervalos de hidratação de três minutos no meio de cada tempo das partidas, a criação de um “Protocolo Médico para Doenças Causadas pelo Calor” e orientações específicas aos médicos de todas as seleções. 

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Do ponto de vista das emissões de CO2, a entidade alega que usa estádios já existentes para reduzir emissões de novas construções, exigindo que todos obtenham certificação de edificação sustentável. A Fifa promete estimular o transporte público, reduzirá o uso de geradores a diesel por meio de energia da rede e de baterias, e incentivará a reciclagem e a redução do desperdício de alimentos. 

“Paralelamente, a Fifa está apoiando um trabalho que visa plantar um milhão de árvores por meio de reflorestamento e projetos comunitários em toda a América do Norte, incluindo todas as 16 cidades-sede, para expandir os espaços verdes, aumentar a biodiversidade, apoiar a vida selvagem, fortalecer os ecossistemas e ajudar a reabastecer os lençóis freáticos”, afirma a entidade, em nota enviada à reportagem.

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