Operação contra infiltrados do PCC mira Polícia Civil e MP de SP; 3 foram presos

Investigação do Gaeco aponta que servidores teriam repassado informações sigilosas, praticado extorsões e atuado para monitorar um promotor de Justiça

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Divulgação/MP-SP)

Uma operação do Ministério Público de São Paulo prendeu nesta terça-feira (09/06) um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do próprio MP suspeitos de atuar em favor do Primeiro Comando da Capital (PCC) e de utilizar informações sigilosas para beneficiar integrantes da facção.

Batizada de Operação Infiltrados, a ação cumpriu três mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista. Um policial penal também foi alvo das medidas judiciais.

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Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), as apurações indicam que agentes públicos teriam acessado e compartilhado informações privilegiadas sobre investigações em andamento, além de participar de um esquema de extorsão contra pessoas investigadas.

As suspeitas surgiram a partir de desdobramentos de duas operações realizadas em 2025. A primeira investigava um suposto plano para assassinar um promotor do Gaeco. A segunda mirava um esquema de lavagem de dinheiro ligado a traficantes apontados como integrantes da cúpula do PCC.

De acordo com a investigação, um dos responsáveis pela execução do plano contra o promotor teria se reunido com o então chefe de investigadores da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas poucos dias antes da operação que frustrou o atentado. Vídeos encontrados durante as apurações registrariam o encontro entre os dois.

O Ministério Público também investiga a atuação de um ex-estagiário que trabalhava em uma promotoria criminal de Campinas. Segundo o Gaeco, ele teria utilizado sistemas internos para identificar alvos com alto poder econômico e exigir dinheiro em troca de suposta proteção ou acesso a informações sobre investigações.

As apurações apontam ainda que o esquema contaria com o auxílio de outros agentes públicos, entre eles um policial penal e um ex-policial civil. Parte das ações investigadas teria ocorrido por meio da internet e com uso de um escritório de advocacia, que também foi alvo de buscas.

Entre os elementos reunidos pelos investigadores está uma mensagem exigindo R$ 500 mil para evitar o compartilhamento de informações com o Ministério Público sobre um empresário investigado por envolvimento em um plano contra um promotor. A identidade dos responsáveis e a eventual realização de pagamentos ainda são alvo de investigação.

A operação busca aprofundar a apuração sobre a possível infiltração de integrantes da organização criminosa em órgãos públicos e o uso de estruturas estatais para obtenção de vantagens ilícitas.

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