A histórica relação entre futebol e geopolítica ganha contornos ainda mais intensos na atual edição da Copa do Mundo, com episódios recentes evidenciando como a política doméstica norte-americana tem impactado diretamente o torneio.
Ao conceder o direito de sediar o evento conjuntamente aos Estados Unidos, ao México e ao Canadá, a FIFA estabeleceu uma diretriz fundamental: todas as seleções classificadas, profissionais de arbitragem designados e torcedores portadores de ingressos devem ter livre acesso aos países anfitriões. No entanto, o cumprimento dessa norma regulamentar tem enfrentado severos atritos em território norte-americano.
Um dos principais pontos de tensão envolve a seleção do Irã, que estabelecerá sua base em Tijuana, no lado mexicano da fronteira, para as partidas que disputará nos Estados Unidos. A delegação realizará voos pontuais até as cidades dos jogos e retornará imediatamente ao México após o término dos confrontos, configurando uma logística incomum e restritiva para o torneio.
Além disso, torcedores iranianos que adquiriram ingressos por meio da cota oficial distribuída pela FIFA às federações nacionais tiveram seus vistos de entrada rejeitados pelas autoridades dos Estados Unidos. O bloqueio gera um impasse estrutural, visto que a equipe corre o risco de competir sem o apoio de uma parcela substancial de sua torcida.
Os entraves políticos também afetaram o quadro de arbitragem da entidade máxima do esporte. Recentemente, um árbitro da Somália, selecionado pela FIFA como um dos principais nomes do continente africano para a competição, teve seu visto recusado pelos Estados Unidos, o que configura mais uma violação do pacote de garantias exigido pela federação internacional aos países-sedes.
Paralelamente, imagens que viralizaram nas redes sociais registraram delegações de países como Senegal e Uzbequistão sendo submetidas a vistorias rigorosas por parte da Agência de Migração Norte-Americana antes de receberem a autorização de entrada. Um dos registros mostra os atletas senegaleses na pista de um aeroporto sendo verificados individualmente pelas equipes de imigração — um tratamento que destoa daquele recebido por delegações de nações europeias, como Holanda, Suíça e Portugal.
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Esta se desenha como uma Copa do Mundo singular, marcada por ser a primeira realizada simultaneamente em três nações e por contar com um número expandido de seleções participantes. Diante dos desdobramentos recentes nos bastidores, os fatores políticos e diplomáticos indicam que a história extra-campo seguirá como um elemento central em paralelo às disputas nos gramados ao longo de todo o torneio.