Ibovespa se recupera com alívio nos juros e IGP-DI abaixo do esperado; varejo e bancos sustentam alta

Recuo global do dólar, dados de inflação doméstica mais brandos e o fechamento das curvas de Treasuries abrem espaço para compras técnicas

Por Redação TMC | Atualizado em
Homem aponta para números em painel da bolsa de valores
Ibovespa teve dia de alta. (Foto: Amanda Perobelli/Reuters)

O Ibovespa encerrou a sessão desta terça-feira (09/06) em alta de 0,57%, aos 169.623,88 pontos, registrando uma recuperação de 955,16 pontos. Após iniciar a semana pressionado pelas projeções rígidas do Boletim Focus e pelas tensões geopolíticas, o principal índice da B3 encontrou fôlego para um movimento de correção técnica.

O avanço foi sustentado pelo alívio nas curvas de juros futuros e pelo forte desempenho dos grandes bancos e de setores ligados ao consumo doméstico.

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O ambiente nos mercados globais mostrou-se mais favorável ao risco, com o fechamento das curvas de rendimento dos títulos públicos americanos (Treasuries) abrindo espaço para o retorno de capital a mercados emergentes.

No front interno, o gatilho para o recuo dos DIs foi a divulgação do IGP-DI, que veio abaixo das expectativas do mercado e reduziu o temor de repasses inflacionários imediatos na cadeia produtiva. A trégua nos juros pavimentou a volta dos investidores às ações que haviam sido fortemente penalizadas na véspera.

Segundo Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da Top Gain, a queda recente do petróleo também atuou como um importante estabilizador de expectativas.

“Quando a commodity recua, diminui parte da pressão sobre combustíveis, fretes e cadeias produtivas, o que reduz o temor de novas altas de preços e melhora a percepção sobre a inflação futura. Com juros futuros mais comportados lá fora, diminui a atratividade relativa dos títulos americanos, permitindo que parte do capital volte a buscar oportunidades no Brasil”, avalia Santana.

Rotação de carteira: varejo e bancos em alta; petroleiras recuam

A melhora na curva de juros doméstica destravou um movimento de recuperação firme para as empresas de construção e consumo, altamente dependentes de crédito. Papéis como MGLU3, DIRR3, MRVE3 e CYRE3 figuraram entre as altas, limpando parte das perdas do pregão anterior.

Os grandes bancos também exerceram papel de liderança e tração desde a abertura, com Itaú Unibanco (ITUB4), Santander (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3) registrando ganhos consistentes. No ambiente corporativo geral, a Raízen (RAIZ4) chamou a atenção ao disparar 9,09%, liderando o volume de negócios do setor sucroenergético.

Na contramão do índice, o setor exportador e de peso pesado limitou um rali maior da bolsa. A descompressão momentânea nos preços internacionais do petróleo jogou contra as petroleiras, levando Petrobras (PETR4), Brava Energia e PetroRecôncavo a operarem no campo negativo.

O minério de ferro também encerrou o dia com leve queda, pressionado pela ausência de novos estímulos econômicos relevantes por parte do governo da China. Diante desse cenário de calmaria em Pequim, as ações da Vale (VALE3) perderam o ímpeto visto na abertura e seguiram sem grandes catalisadores.

Dólar

O dólar comercial encerrou o dia com uma oscilação estrita e viés de baixa, registrando leve queda de 0,04%, cotado a R$ 5,178 na venda. A divisa norte-americana manteve-se em um intervalo comportado, tocando a mínima de R$ 5,150 e a máxima de R$ 5,193.

O recuo da moeda foi motivado por uma realização técnica global após a forte sequência de valorização recente. Conforme explica Leonardo Santana, o alívio nos indicadores de inflação doméstica corroborou a perda de tração da divisa.

“O dólar caiu acompanhando o enfraquecimento global da moeda americana. Depois da forte valorização impulsionada pelo receio de juros mais altos nos EUA, o mercado passou por uma realização. A divulgação do IGP-DI abaixo do esperado reforçou a percepção de menor pressão inflacionária doméstica, contribuindo para aliviar os juros”, conclui o especialista da Top Gain.

A melhora nos setores de varejo e construção mostra que a sensibilidade do investidor local à curva de DIs continua sendo o principal termômetro para os ativos domésticos.

Com os investidores globais limpando posições antes de dados macroeconômicos decisivos nos EUA, a liquidez das próximas sessões deve se manter concentrada no setor de tecnologia e inteligência artificial no exterior.

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