Muito além de Modrić: o que explica o sucesso da Croácia em Copas do Mundo

Vice-campeã em 2018 e terceira colocada em 2022, a seleção croata desafia as potências tradicionais do futebol e sustenta uma trajetória de sucesso que vai muito além da geração liderada por Luka Modrić

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(Foto: Daniele Mascolo/Reuters)

A Croácia estreou em Copas do Mundo apenas em 1998, sete anos após conquistar sua independência da antiga Iugoslávia. Desde então, a pequena nação dos Bálcãs se acostumou a desafiar as principais potências do futebol mundial e acumular campanhas históricas. O país, com menos de quatro milhões de habitantes, já subiu ao pódio em três oportunidades: terceiro lugar em 1998, vice-campeonato em 2018 e nova terceira colocação em 2022.

O retrospecto impressiona ainda mais quando comparado ao número de participações da seleção. A Croácia chegou às semifinais em metade das Copas do Mundo que disputou desde sua estreia, um desempenho considerado excepcional pela própria FIFA.

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O peso da história

Parte da identidade competitiva da seleção croata também está ligada à história recente do país. A Guerra da Independência da Croácia, iniciada em 1991, marcou profundamente uma geração de jogadores que cresceu em meio aos conflitos.

O principal símbolo dessa trajetória é Luka Modrić. Aos 40 anos e próximo de disputar aquela que deve ser sua última Copa do Mundo, o capitão da equipe viveu a guerra ainda criança. Seu avô foi morto durante o conflito, e a família precisou deixar a cidade onde morava para se refugiar em hotéis na região de Zadar. O próprio meio-campista já afirmou que as experiências vividas naquele período ajudaram a moldar seu caráter e sua relação com a seleção nacional.

Modrić se tornou a principal referência do futebol croata, conquistando seis títulos da Liga dos Campeões, a Bola de Ouro de 2018 e liderando a seleção nas campanhas do vice-campeonato na Rússia e do terceiro lugar no Catar.

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Muito além de Modrić

Apesar de ser o rosto mais conhecido da equipe, especialistas apontam que o sucesso croata não depende apenas do camisa 10. O país possui uma forte tradição na formação de atletas, tendo o Dinamo Zagreb como principal celeiro de talentos. O clube revelou ou participou do desenvolvimento de jogadores como Modrić, Mateo Kovačić, Joško Gvardiol e Dominik Livaković, nomes que ajudaram a manter a seleção em alto nível ao longo das últimas décadas.

Uma fórmula que segue dando resultado

Se a campanha de 1998 apresentou a Croácia ao mundo do futebol, os resultados conquistados nas décadas seguintes ajudaram a consolidar a seleção entre as protagonistas das Copas do Mundo. O vice-campeonato de 2018 e o terceiro lugar em 2022 reforçam que o sucesso croata está apoiado em um trabalho contínuo de formação de atletas, renovação de gerações e valorização da identidade construída desde a independência do país.

Às vésperas de mais uma edição do Mundial, a Croácia chega novamente cercada por expectativas. E, embora Luka Modrić siga sendo o principal símbolo dessa trajetória, as campanhas recentes indicam que o futebol croata já encontrou um caminho capaz de sustentar sua competitividade mesmo diante das maiores potências do esporte.

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