Brasil reencontra Haiti e revive memória do histórico ‘Jogo da Paz’

Seleções voltam a se enfrentar 22 anos após amistoso que reuniu estrelas, incentivou o desarmamento e simbolizou a tentativa de pacificação do país caribenho

Por | Atualizado em
Foto: Divulgação/CBF

O duelo entre Brasil e Haiti, nesta sexta-feira (19/06), pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo de 2026, resgata uma das passagens mais emblemáticas da história recente da Seleção Brasileira. Há quase 22 anos, as duas equipes estiveram frente a frente no chamado “Jogo da Paz”, amistoso disputado em 18 de agosto de 2004, em Porto Príncipe, que ultrapassou as fronteiras do esporte e se transformou em um símbolo de esperança para a população haitiana.

Naquele período, o Haiti enfrentava uma grave guerra civil e era alvo da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, operação liderada pelo Exército Brasileiro. Além dos militares enviados ao país, outra delegação verde e amarela desembarcou na capital haitiana para colaborar com a iniciativa: a então campeã mundial Seleção Brasileira. O objetivo era utilizar o futebol como ferramenta de aproximação social, incentivando o desarmamento e promovendo algumas horas de alívio em meio à crise política e humanitária.

Siga o canal da TMC no WhatsApp e receba as últimas notícias

Um dos gestos mais marcantes da ação foi a campanha que permitia à população trocar armas de fogo por ingressos para assistir ao duelo. O pequeno Estádio Sylvio Cator, com capacidade para cerca de 13 mil pessoas e gramado bastante precário — que precisou receber placas de grama sintética para receber o jogo — ficou lotado.

Copa Para Você! Fique por dentro de tudo sobre a Copa do Mundo 2026 na TMC

Quem esteve presente na época relata a emoção de milhares de pessoas nas ruas saudando os jogadores brasileiros, muitos deles sobre veículos militares, em um raro instante de alegria para um povo acostumado a conviver com a violência cotidiana.

Técnico do Brasil na ocasião, Carlos Alberto Parreira guardou lembranças marcantes da chegada da delegação ao estádio. Em depoimento ao canal do Exército Brasileiro, contou que a multidão acompanhava o ônibus da Seleção pelos dois lados das ruas, inclusive em regiões muito pobres, sorrindo, acenando bandeiras e gritando os nomes dos ídolos brasileiros.

Dentro de campo, o resultado teve importância secundária. O Brasil entrou em campo com uma constelação de craques formada por Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Roberto Carlos, Dida, Cafu e Lúcio, entre outros jogadores da geração pentacampeã. A equipe venceu por 6 a 0, com três gols de Ronaldinho Gaúcho, dois de Roger Flores e um de Nilmar.

Para os haitianos, o placar pouco importava. O que ficou na memória foi a oportunidade de celebrar, ainda que por algumas horas, um momento de união e esperança. O simbolismo da iniciativa rendeu à Confederação Brasileira de Futebol o Prêmio Fair Play de 2004, concedido pela Fifa.

Mais de duas décadas depois, Brasil e Haiti voltam a se encontrar em uma Copa do Mundo. Desta vez, a disputa vale pontos no Grupo C, mas o reencontro inevitavelmente traz à tona a lembrança de um jogo em que o futebol serviu como instrumento de paz, solidariedade e reconstrução social.

Ao vivo
São Paulo
Ouça a TMC pelo Brasil
  • 100,1FM São Paulo
  • 101,3FM Rio de Janeiro
  • 100,3FM Curitiba
  • 88,7FM Belo Horizonte
  • 92,7FM Recife
  • 100,1FM Brasília
Notícias que importam para você
Copyright © 2026 CNPJ: 44.060.192/0001-05