Falha de San Andreas acumula tensão recorde em mil anos, aponta pesquisa

Pesquisa publicada no Journal of Geophysical Research reconstruiu mil anos de atividade sísmica e identificou níveis críticos nas falhas da Califórnia

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Paisagem De Colinas Onduladas Com Padrões De Erosão
(Foto: Celeo Sun/Pexels)

A falha de San Andreas carrega hoje a maior tensão acumulada dos últimos mil anos. A conclusão vem de um modelo computacional publicado neste mês no “Journal of Geophysical Research: Solid Earth”, liderado pela geofísica Liliane Burkhard, da Universidade de Berna, na Suíça.

A pesquisa simulou como a energia sísmica se acumulou e foi liberada ao longo de dez séculos. O resultado aponta que partes do sistema de falhas da Califórnia do Sul estão em estado crítico, incluindo regiões próximas a Los Angeles, San Bernardino, Riverside e o Vale de Coachella.

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Onde está o risco mais alto

A falha de San Andreas tem 1,3 mil quilômetros de extensão. Ela marca o encontro entre as placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte. O último grande rompimento nessa estrutura aconteceu em 1857, no terremoto de Fort Tejon, com magnitude 7,9. Antes disso, em 1812, o terremoto de Wrightwood causou um abalo com magnitude estimada em cerca de 7,5.

O modelo identificou dois pontos de atenção especial. O trecho da falha San Jacinto registrou tensão de 3,6 megapascais, o valor mais alto de toda a reconstrução histórica. Já um segmento da própria San Andreas chegou a 2,8 megapascais, acima de qualquer pico anterior.

O ponto de convergência entre as duas falhas é o Cajon Pass, a menos de 100 quilômetros a nordeste do centro de Los Angeles. Segundo o estudo, um terremoto que cruzasse essa área poderia atingir magnitude entre 7,4 e 7,8, mas essa estimativa depende das premissas adotadas no modelo.

Preparação, não contagem regressiva

Burkhard foi direta ao explicar o que o estudo não faz. Segundo ela, afirmou ao g1: “Isso não significa que as falhas precisam se romper imediatamente ou em breve, e não nos dá uma data, um ano ou uma contagem regressiva para o próximo terremoto”

A pesquisadora também destacou o que o modelo revela sobre a interação entre as falhas: “Nossos modelos indicam que os níveis atuais de tensão em segmentos importantes dos dois lados estão ficando mais semelhantes. Isso pode facilitar a continuação de um rompimento que chegue ao Cajon Pass”

Mas ela fez questão de separar análise de previsão: “Não é uma previsão de que o próximo terremoto necessariamente seguirá esse caminho”

Para quem mora na região, a conclusão prática do estudo é simples. Como resumiu Burkhard: “A mensagem principal é preparação, não previsão.”

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