Histórias de quem veio de fora ajudam a contar uma parte importante do centro de São Paulo — um território onde trajetórias internacionais se misturam com a identidade da cidade.
É o caso do alemão Jochen Volz. Vivendo há mais de duas décadas no Brasil, ele chegou ao país por motivos pessoais: a relação com a artista brasileira Rivane Neuenschwander. A escolha acabou se transformando em uma carreira que hoje se confunde com a história recente de um dos principais museus do país.
Atualmente, Volz é diretor da Pinacoteca de São Paulo, o museu de arte mais antigo da capital. Localizada no centro da cidade, a instituição recebe cerca de 900 mil visitantes por ano e desempenha um papel fundamental na dinâmica urbana da região.
“É muito importante que esse museu seja no coração da cidade… quanto mais as pessoas frequentam, mais seguro ele fica e mais bonito também”, afirma.
A poucos metros dali, outra trajetória internacional também ajuda a redesenhar o centro. O francês Olivier Anquier chegou a São Paulo em 1979, ainda jovem, e escolheu a região central para viver.
“Estou aqui na Praça da República, no centro de São Paulo… com vista para o mar… o mar de prédio daqui do centro, que lindo”, descreve.
Foi também no centro que ele construiu sua vida pessoal. Ao apresentar o futuro lar para a esposa, relembra o momento com bom humor: “Falei: você está vendo o prédio lá na frente? (…) A nossa casa é a cobertura aqui, da esquerda (…) não só moramos lá, como casamos lá.”
Hoje, a capital paulista abriga cerca de 400 mil estrangeiros, com presença marcante em bairros centrais como Sé, Liberdade, Bom Retiro e Brás. Entre arte, arquitetura e gastronomia, essas histórias ajudam a reconstruir o centro e a dar novos significados à região.
Para Anquier, essa relação com a cidade foi determinante: “Eu não tinha nada… e hoje, a pessoa que eu sou… foi nessa troca entre a cidade e eu.”




