Bruno Alexssander Souza Silva, influencer mais conhecido como Buzeira, acumula mais de 14 milhões de seguidores nas redes sociais e é alvo de diferentes investigações sobre esquema de lavagem de dinheiro desde 2025. Mais recentemente, ele voltou aos holofotes em possível conexão com o PCC, como muitas outras subcelebridades que surgiram do nada e deixaram no ar a questão: quem são? da onde vieram? e por que se envolveram com o Primeiro Comando Vermelho da Capital?
Nascido em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, antes do estrelato, Buzeira levava uma vida normal na periferia da cidade, pulando de trabalho em trabalho, principalmente no setor logístico. Como todo jovem, tentou carreira na música e no futebol, mas não vingou em nenhuma das áreas.
À partir de 2020, no entanto, o jogo muda, e a conta de Buzeira nas redes sociais se torna uma verdadeira loteria online. O jovem passa a ganhar notoriedade fazendo rifas de veículos, sorteios de motos, além de doações milionárias a instituições. Rapidamente, o jovem se tornou fenômeno da ostentação, gravando vídeos exibindo imóveis luxuosos e joias.
Uma vez famoso nas redes, Buzeira ganhou passe livre em eventos repletos de estrelas e famoso brasileiros, como o cruzeiro do Neymar, ‘Ney em Alto Mar’, que aconteceu em 2023, onde o influencer teria conhecido pessoalmente o jogador de futebol e o presenteado com um cordão de ouro no valor de R$ 2 milhões de reais.
A amizade se transformou em intimidade, e Buzeira passou a frequentar a casa de Neymar e suas festas particulares, conforme ele mesmo relatou nas redes sociais. Da mesma forma foi seu encontro com outras celebridades como Virgínia Fonseca e Zé Felipe.
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Início das Investigações
Já no final de 2024, Buzeira começa a aparecer no radar da Polícia Civil por suspeitas relacionadas a lavagem de dinheiro justamente por exploração de rifas e sorteios considerados “irregulares”. Mas é apenas em fevereiro de 2025 que a primeira operação contra ele se torna pública.
No dia 26 de fevereiro de 2025, a Polícia Civil de São Paulo cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Buzeira e ao funkeiro Neguinho do Kaxeta. A investigação começou após a prisão do traficante Michel da Silva, conhecido como “Neymar do PCC”, em agosto de 2024.
Quando os investigadores analisaram o celular de Michel, encontraram conversas com diversas pessoas, entre elas Buzeira. Segundo a Polícia Civil, uma dessas mensagens indicaria que Buzeira teria pedido ajuda para cobrar uma dívida de aproximadamente R$ 400 mil. A investigação buscava esclarecer se essa cobrança, se envolvia ameaça, extorsão ou se era apenas uma conversa sem relevância criminal.
Após o episódio, Buzeira prestou depoimento, negou qualquer vínculo com organização criminosa, e foi liberado no mesmo dia. Meses depois, em outubro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Narco Bet, em um caso distinto e de maior abrangência, no qual Buzeira foi preso preventivamente, supostamente ligado ao tráfico internacional.
O nome de influencer apareceu no relatório policial da investigação sobre o contrato entre o Sport Club Corinthians Paulista e a empresa VaideBet. Ele teria sido mencionado em documentos relacionados às apurações envolvendo supostas dívidas de campanha do então presidente do clube.
Além disso, as autoridades se debruçavam em evidências não só de lavagem de dinheiro, mas uso de criptomoedas, administração de empresas de fachada, envolvimento com apostas eletrônicas e ocultação de recursos ligados ao tráfico internacional de drogas. O grupo investigado teria movimentado aproximadamente R$ 630 milhões.
Em junho de 2026, o Ministério Público Federal denunciou Buzeira. Segundo o MPF, ele integraria um esquema investigado na Operação Narco Bet. O processo segue em tramitação, mas até o momento não há condenação definitiva até o momento.
Nova linha de investigação
Segundo a investigação da Polícia Civil, a empresa Buzeira Digital recebeu mais de R$ 1 milhão em transferências da Victory Trading, empresa ligada ao empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, alvo de sanções do governo dos Estados Unidos por suposta atuação como operador financeiro do PCC. Os investigadores afirmam que os repasses ocorreram logo após a Victory enviar recursos à UJ Football, empresa citada nas apurações sobre o suposto desvio de dinheiro do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a VaideBet.
As autoridades brasileiras investigam se essas movimentações fazem parte de uma cadeia de lavagem de dinheiro. Até o momento, porém, não há decisão judicial que comprove a participação de Buzeira no esquema.
O influenciador e sua esposa seguem negando qualquer envolvimento com irregularidades.




