Número de mortos por terremotos na Venezuela chega a 3.535 com buscas intensas e críticas ao governo

La Guaira permanece como a região mais atingida pelos tremores de 24/06, enquanto organizações internacionais ampliam a ajuda humanitária ao país

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Integrantes da CEPA Argentina participam das operações de resgate após os terremotos de 24/06, em La Guaira, Venezuela, em 06/07/2026.
(Foto: Gaby Oraa/Reuters)

O número de mortos pelos terremotos que atingiram a Venezuela em 24/06 subiu para 3.535, segundo balanço divulgado pelas autoridades do país nesta segunda-feira (06/07). O total de feridos permanece em 16.740, enquanto 17.854 pessoas seguem desabrigadas em consequência da tragédia.

Os dois terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, tiveram como principal área de impacto o estado de La Guaira, no norte do país, onde houve destruição de prédios, desabamentos e milhares de pessoas passaram a viver em abrigos improvisados. A capital, Caracas, também registrou danos, especialmente nos bairros de Los Palos Grandes e Altamira, na região de Chacao.

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De acordo com os dados divulgados pelas autoridades, 6.462 pessoas foram resgatadas, 86.794 famílias receberam atendimento, 190 edifícios desabaram e 856 construções sofreram danos.

Embora o governo não divulgue um número oficial de desaparecidos, organizações e iniciativas independentes afirmam que milhares de pessoas ainda não foram localizadas. O chefe de ajuda humanitária da ONU já estimou que esse número poderia chegar a 50 mil, enquanto uma plataforma criada por voluntários aponta cerca de 30 mil desaparecidos. Esses números, porém, não foram confirmados pelas autoridades venezuelanas.

Mais de 150 corpos sem identificação foram enterrados no domingo (05/07) em um cemitério de Catia La Mar, em La Guaira. Segundo relatos, os sepultamentos ocorreram após os corpos serem fotografados e catalogados, para possibilitar eventual identificação por familiares no futuro.

A resposta das autoridades continua sendo alvo de críticas de parte da população, que reclama da lentidão das operações de resgate e da dificuldade para localizar parentes desaparecidos. Em cerimônia realizada no domingo (05/07), durante as comemorações da independência do país, a presidente interina Delcy Rodríguez rejeitou as críticas e afirmou que “não haverá convulsão social”, sustentando que as equipes de busca e salvamento continuam trabalhando.

A tragédia também ampliou a crise humanitária enfrentada pela Venezuela. O Programa Mundial de Alimentos solicitou US$ 50 milhões à comunidade internacional para atender aproximadamente 500 mil pessoas nos próximos três meses. Antes mesmo dos terremotos, a ONU estimava que quase 8 milhões de venezuelanos já necessitavam de algum tipo de assistência humanitária.

Segundo a organização, 27 países enviaram equipes especializadas e cães farejadores para reforçar as buscas por sobreviventes entre os escombros. Enquanto isso, familiares continuam percorrendo as áreas devastadas na esperança de encontrar parentes desaparecidos, quase duas semanas após o desastre.

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