Escrita por Benedito Ruy Barbosa, “Paraíso” (1982) marcou o retorno do autor à Globo após uma saída conturbada. Em 1979, Benedito entregou uma carta de demissão em solidariedade ao amigo e também autor Lauro César Muniz. Os dois migraram para a Bandeirantes, onde Benedito assinou “Pé de Vento” (1979) e “Os Imigrantes” (1981) — obra que se consolidou como o maior êxito da história daquela emissora. Foi apenas após esse feito que ele recebeu o convite para retornar à Globo.
Motivo da saída
Lauro César Muniz estava escrevendo a novela “Os Gigantes“, que não estava com uma boa audiência e nem com uma grande repercussão. A emissora, então, pediu para que Benedito interviesse. Ele negou, em solidariedade ao amigo. O autor pediu demissão da emissora carioca.
O nome que quase ficou
A novela não chegou às telas com o título que conhecemos hoje. O nome provisório era “Na Morada do Sol“, mas, em julho de 1982, moradores de um condomínio homônimo em Botafogo solicitaram a mudança. O pedido foi atendido, e a obra ganhou o nome definitivo de “Paraíso”.
Os personagens centrais também têm origem fora da ficção. Segundo a Revista Ilusão, José Eleutério nasceu de uma história real que Benedito ouviu na Bahia, cerca de três anos antes de 1982. Já Santinha foi inspirada em um caso real ocorrido em Vera Cruz, São Paulo.
Kadu Moliterno: protagonista e acidente
Kadu Moliterno se consagrou como protagonista em “Paraíso”. Mas o caminho até o fim das gravações não foi simples. Em 21/11 de 1982, o ator rompeu ligamentos da mão direita durante uma cena a cavalo. Segundo relato publicado pelo O Globo na época, ele descreveu o momento: “Estava montando num cavalo acostumado a usar freio e, naquela hora, só o haviam preparado com bridão. A ordem que recebi era de galopar em direção à câmera e, quase em cima dela, dobrar à esquerda. Mas, ao puxar a rédea, senti que o cavalo não ia me obedecer. Para me equilibrar melhor, segurei atrás, na sela, que veio de encontro à minha mão e provocou a ruptura de ligamentos.”
Elenco e bastidores nas gravações externas
As gravações externas aconteceram em Vassouras e contaram com a participação de Sérgio Reis. O elenco reuniu ainda Lima Duarte, Roberto Bonfim, Cosme dos Santos, Cristina Mullins, Cláudio Corrêa e Castro e Eloísa Mafalda, entre outros.
Cristina Mullins também enfrentou um percalço nas gravações finais: ficou montada a cavalo por mais de sete horas e levou dois tombos durante as cenas.
Uma obra que abriu caminhos
“Paraíso” é apontada como precursora de elementos que apareceriam depois em “Pantanal”, na TV Manchete e “O Rei do Gado” e “Terra Nostra”, três das novelas mais celebradas da carreira de Benedito Ruy Barbosa. A trama ganhou um remake em 2009.




