Os medicamentos da classe GLP-1 deixaram de ser uma novidade e passaram a fazer parte da rotina de milhões de americanos. Uma nova pesquisa da Gallup mostra que 11% dos adultos dos Estados Unidos usam atualmente esses remédios para emagrecer, quase quatro vezes mais do que os 3% registrados em 2024.
O levantamento também revela que 15% dos americanos já utilizaram um GLP-1 em algum momento da vida, contra apenas 6% há dois anos. Entre os medicamentos mais conhecidos estão Ozempic, Wegovy, Zepbound e Mounjaro.
Entenda o que está acontecendo
Os GLP-1 foram desenvolvidos inicialmente para tratar diabetes tipo 2. Depois, estudos clínicos mostraram que eles também promovem perda significativa de peso ao aumentar a sensação de saciedade e reduzir o apetite. Isso levou à aprovação de versões específicas para o tratamento da obesidade.
Desde então, a procura explodiu.
Ao mesmo tempo, outro indicador começou a chamar atenção: a taxa de obesidade nos Estados Unidos caiu para 36,4% em 2026, depois de atingir o recorde de 39,9% em 2022. A Gallup observa que existe uma relação temporal entre o aumento do uso dos GLP-1 e essa redução da obesidade, mas não afirma que os medicamentos sejam a única causa da queda. Trata-se de uma correlação observada nos dados populacionais, e outros fatores também podem influenciar esse resultado.
Marca conhecida ainda domina
Segundo a pesquisa, 68% dos usuários utilizam medicamentos de marca, enquanto 19% recorrem a versões manipuladas ou personalizadas. Os demais não souberam informar qual tipo utilizam.
Leia mais: Nova onda de calor na Europa pode trazer “semanas mais mortais”, alerta OMS
Outro dado curioso é que usuários das versões manipuladas relataram, na pesquisa, percepção ligeiramente maior de eficácia. Mas esse resultado é baseado em autoavaliação dos entrevistados, não em comparação clínica entre medicamentos. Especialistas alertam que isso não significa que as versões manipuladas sejam superiores às aprovadas pelos órgãos reguladores.
Por que isso importa?
O crescimento dos GLP-1 já começa a provocar mudanças que vão além da medicina. Analistas acompanham impactos no consumo de alimentos, na indústria farmacêutica, nos planos de saúde e até no comportamento dos consumidores.
Ao mesmo tempo, médicos reforçam que esses medicamentos não substituem alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento profissional. O tratamento da obesidade continua sendo considerado multifatorial, e o uso inadequado pode trazer efeitos adversos ou perda dos resultados após a interrupção do medicamento.
A análise da TMC
Os números mostram que os GLP-1 caminham para se tornar uma das maiores transformações da saúde pública desta década. Mas existe uma diferença importante entre entusiasmo e evidência científica.
A redução da obesidade é uma boa notícia. Atribuí-la exclusivamente aos medicamentos, porém, seria uma simplificação. O desafio agora será acompanhar se esses resultados se sustentam no longo prazo, qual será o impacto sobre os sistemas de saúde e quem realmente terá acesso a esse tratamento. Informação, contexto e evidência científica continuam sendo tão importantes quanto a própria inovação.
Leia mais: ONU alerta que IA avança mais rápido do que supervisão e pede proteção às crianças




