França e Marrocos se enfrentam no Gillette Stadium, em Boston, nos Estados Unidos, às 17h (de Brasília) desta quinta-feira (09/07). Pilar do meio-campo marroquino, Ayyoub Bouaddi poderia estar vestindo as cores azuis não fosse sua troca de nacionalidade às vésperas da Copa do Mundo.
Filho de pais marroquinos, Bouaddi nasceu em Senlis, na França. Destaque na base do país, defendeu os times Sub-16, 17, 18, 20 e 21 do país europeu. Contudo, em março deste ano saiu sua nacionalidade de Marrocos e o meio-campista decidiu representar a terra de seus ancestrais em uma campanha dos africanos de chamar filhos da diáspora.
Aos 18 anos, Bouaddi fez apenas três amistosos pela seleção marroquina antes da Copa do Mundo. Todos disputados em 2026, sendo que apenas o primeiro foi fora da convocação do Mundial.
A indignação francesa se deu pelo destaque de Bouaddi. Principal revelação do Lille, da França, o jogador estreou no profissional com 16 anos e três dias, e já ultrapassou a marca de 100 jogos pelo time principal. As críticas recaíram sobre o técnico Didier Deschamps por não tê-lo convocado e à Federação Francesa de Futebol por não terem apresentado um projeto.
“Quando você tem um jovem assim no campeonato francês, que sempre vestiu a camisa das seleções de base, é papel do treinador, da comissão técnica, do presidente da Federação e das pessoas ao redor pegarem o telefone e ligarem para ele. Era preciso dizer a Bouaddi que a França contava com ele e que seguiria acompanhando sua evolução para que chegasse à seleção principal“, criticou o ex-jogador Jérôme Rothen, que atualmente é comentarista do canal RMC Sport, no início desta Copa.
Recentemente, Guy Stéphan, braço direito de Didier Deschamps, respondeu às críticas que vêm recebendo pela forma como conduziram o caso de Bousaddi: “Claro que conhecemos o Bouaddi. Ele é um produto puro do sistema de base francês. Jogou em todas as categorias de base: Sub-16, Sub-17, Sub-18, Sub-20, Sub-21… Ele nasceu na região de Paris, ou melhor, no departamento de Oise. Cresceu lá. Passou toda a adolescência em Creil e depois foi para o Lille.”
“Obviamente, é alguém que conhecemos bem, alguém que os técnicos da seleção que trabalharam com ele nas categorias de base conhecem bem. Ele era um jogador muito bom no Sub-21. Depois, em determinado momento da carreira, fez uma escolha, e não vamos culpá-lo por isso. Muito pelo contrário. Como muitos outros jogadores, ele escolheu representar outro país. Não é a primeira vez, e não será a última“, complementou.
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O problema diferente da França
Stéphan citou um problema que a França tem: excesso de bons jogadores. Nesta Copa do Mundo, por exemplo, os volantes Eduardo Camavinga e Khéphren Thuram, o meia Antoine Griezmann, e os atacantes Kolo Muani e Christopher Nkunku, que foram destaques nos últimos quatro anos, ficaram fora.
“Acontece que temos um bom elenco nessa posição. Quando você tem Tchouaméni , Rabiot, Koné, Kanté e Zaïre-Emery , se eu perguntasse quem tirar do time, não teríamos a mesma resposta no vestiário. É uma questão de qualidade e quantidade. Mas ele continua sendo um bom jogador, até mesmo um jogador muito bom”, finalizou.
Principal surpresa do time do Marrocos, Bouaddi deve ser titular da equipe. Destaque do Lille, o meio-campista vem sendo especulado em gigantes da Europa, especialmente nos ingleses Arsenal e Manchester City.
Como joga Bouaddi?
Primeiro volante, Bouaddi se destaca pela capacidade de levar a bola da defesa ao ataque, seja com lançamentos ou, principalmente, passes curtos. Na estreia contra o Brasil, o jogador acertou 60 de 66 passes, além de um lançamento, domando Bruno Guimarães e Casemiro.
Também tem boa atuação defensiva quando necessário. Nas oitavas de final diante do Canadá, recuperou três bolas, tendo interceptado um passe e também realizado dois cortes. Realizou um desarme, venceu quatro disputas pelo solo e uma pelo ar.
“Eu sei qual é o meu papel. Estou aqui para trazer equilíbrio à equipe. Sei que não é minha função marcar três gols seguidos, embora adoraria fazer isso. Se um dia acontecer, ficarei muito feliz”, avaliou o jogador franco-marroquino, que, curiosamente, nunca marcou um gol como jogador profissional.
Outros jogadores nascidos na França que estão defendendo Marrocos na Copa do Mundo
Além de Bouaddi, outros cinco jogadores do elenco marroquino nasceram em território francês: Gessime Yassine, Issa Diop, Neil El Aynaoui, Redouane Halhal e Samir El Mourabet.
Além dos 26 convocados de seu país, a França tem 74 atletas que nasceram em seu território defendendo outros países. O top-3 de mais representantes é: Argélia (13), Haiti (12) e República Democrática do Congo (11).




