Preso na Operação Unha e Carne, Márcio Poncio vai para prisão domiciliar por decisão do STF

Ministro do STF autorizou domiciliar após cirurgia de retirada de intestino e gravidez de alto risco da esposa; Poncio não pode usar redes sociais nem contatar investigados

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Simone e Marcio Poncio
(Foto: simoneponciooficial via Instagram)

Márcio Poncio, empresário e pastor da Igreja da Nuvem que foi detido pela Polícia Federal (PF) no último dia 2 na Operação Unha e Carne, teve sua prisão preventiva convertida para prisão domiciliar por decisão de Alexandre de Moraes.

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) foi fundamentada no estado de saúde do investigado e nas condições de saúde de sua esposa, Simone Poncio, que está grávida aos 50 anos.

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De acordo com Moraes, Poncio é portador de retocolite ulcerativa grave, doença inflamatória crônica do intestino, e foi submetido a uma cirurgia de remoção do reto e do intestino grosso. O ministro também ponderou que a esposa do investigado enfrenta uma gravidez de alto risco.

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Ao conceder a prisão domiciliar, Moraes estabeleceu uma série de restrições ao investigado. Poncio está impedido de manter contato com os demais alvos da operação e de acessar redes sociais. O ministro ordenou ainda a suspensão imediata das autorizações de porte de arma de fogo e a entrega dos passaportes.

O que a operação investiga

A quinta etapa da Operação Unha e Carne tem como objetivo aprofundar as investigações sobre lavagem de dinheiro atribuída ao novo comando do jogo do bicho, além de rastrear eventuais conexões do esquema com membros dos poderes Executivo e Legislativo fluminenses.

Conforme a PF, a operação tem origem na Operação Fumus, deflagrada em junho de 2021 com foco no controle monopolista do comércio de cigarros na região metropolitana do Rio. As investigações apontam Poncio como suspeito de envolvimento com a chamada Máfia do Cigarro, segundo apuração do g1.

Também foram alvos de mandados de prisão Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e Rodrigo Bacellar, ex-deputado estadual, ambos já estavam detidos. A PF aponta Adilsinho como uma das principais lideranças do jogo do bicho no estado e o investiga como chefe da organização criminosa. Ele foi preso em fevereiro deste ano em Cabo Frio, com localização confirmada por monitoramento com drones. Adilsinho era alvo da Operação Fumus, mas não havia sido encontrado à época.

Planilhas e mesadas a políticos

Durante as investigações, a PF encontrou planilhas com “supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais”. Segundo a PF, “as listas chamaram a atenção dos investigadores por possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do RJ”.

A TV Globo apurou que pelo menos 20 políticos são investigados por receber mesadas de Adilsinho. Em abril, o ministro do STF Gilmar Mendes afirmou ter ouvido relatos de que mais de 30 deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) recebiam mesadas do jogo do bicho. Trata-se de relatos ouvidos por Mendes, não de fatos confirmados pela investigação.

Poncio é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K.

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