O prestigiado jornal norte-americano The New York Times publicou na segunda-feira (13/07) o obituário oficial de Manoel Francisco dos Santos, o eterno Mané Garrincha. A homenagem póstuma ao jogador chega com um atraso de 43 anos, já que o ícone do Botafogo e da Seleção Brasileira faleceu em 20 de janeiro de 1983, aos 49 anos de idade.
O tributo faz parte do projeto editorial “Overlooked No More” (Não mais esquecidos, em tradução livre), uma seção especial dedicada a reparar lacunas históricas da cobertura do jornal. O espaço resgata a vida de personalidades globais marcantes que não receberam o devido espaço ou homenagem nas páginas do periódico na época de suas mortes.
Com esse texto, o “Anjo das Pernas Tortas” junta-se a figuras como a filantropa Katharine McCormick (financiadora da pílula anticoncepcional) e a aviadora soviética Polina Gelman, também lembradas tardiamente.
O herói brilhante e ferido do Brasil
Sob o título original de “Overlooked No More: Garrincha, Brazil’s Brilliant and Broken World Cup Hero” (Não mais esquecido: Garrincha, o brilhante e despedaçado herói brasileiro da Copa do Mundo), o artigo assinado pelo jornalista Jeré Longman reconta com riqueza de detalhes a trajetória do craque. O texto destaca a anatomia do atleta, que desafiava a lógica: uma perna esquerda arqueada para fora e a perna direita, seis centímetros mais curta, flexionada para dentro.
O The New York Times enfatizou o forte contraste entre a genialidade mágica dentro das quatro linhas e os dramas profundos que o acompanharam fora dos gramados:
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“Ele ajudou a levar o Brasil a dois campeonatos ao lado de Pelé, mas seu brilho em campo foi ofuscado por uma vida pessoal trágica.”
Estatísticas e legado de Garrincha na Seleção Brasileira
Considerado por historiadores e especialistas como o maior driblador que o futebol já produziu, Garrincha ostenta um dos retrospectos mais impressionantes do esporte mundial. Ele foi o grande protagonista do bicampeonato mundial em 1962, no Chile, assumindo a liderança absoluta da equipe após a lesão de Pelé.
- Copas do Mundo conquistadas: 2 (1958 e 1962)
- Partidas oficiais pelo Brasil: 60 jogos
- Retrospecto: 52 vitórias, 7 empates e apenas 1 derrota
- Parceria lendária: O Brasil nunca perdeu uma partida sequer quando Pelé e Garrincha jogaram juntos em campo.Copa Para Você! Fique por dentro de tudo sobre a Copa do Mundo 2026 na TMC
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Infelizmente, a alegria contagiante que o ponta-direita levava aos estádios não se refletiu em seus últimos anos de vida. O ídolo faleceu em 1983 em decorrência de sérias complicações provocadas pelo alcoolismo crônico. O reconhecimento tardio do jornal norte-americano resgata a complexidade do homem por trás do mito, celebrando a imortalidade de sua arte.




