Rio começa se prepara para impactos do El Niño; especialistas alertam para aumento do risco de dengue e calor extremo

O fenômeno pode atingir intensidade muito forte ainda este ano e permanecer até o início de 2027

Por , Rio de Janeiro
(Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

O Rio de Janeiro já começa a se preparar para os impactos do El Niño. O fenômeno climático, que altera o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes regiões, deve favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti e aumentar o risco de eventos climáticos extremos no estado, como ondas de calor, temporais e alagamentos.

Segundo o Centro de Previsão Climática (CPC), da agência norte-americana NOAA, o El Niño tem atualmente 81% de chance de atingir a categoria de “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026. Caso a previsão se confirme, o episódio poderá entrar para a lista dos mais intensos desde o início dos registros modernos, em 1950.

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O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) apontam probabilidade superior a 95% de permanência do fenômeno ao longo do segundo semestre de 2026, até o início de 2027.

O que muda no Rio de Janeiro

O El Niño é provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento modifica a circulação da atmosfera e interfere diretamente no comportamento das chuvas e temperaturas em várias partes do mundo.

No Sudeste, os efeitos costumam ser diferentes dos analisados no Sul do país. A tendência é de temperaturas acima da média, ondas de calor mais frequentes e períodos mais prolongados de estiagem, além de episódios de chuva intensa.

A meteorologista Andrea Ramos explica que o fenômeno também altera a regularidade das precipitações.

“Com o El Niño, ele diminui a tendência dessas chuvas mais regulares. As chuvas passam a ser mais irregulares e podem vir de forma intensa, com rajadas de vento, trovoadas e possibilidade de alagamentos.”

Segundo ela, outra consequência é o atraso do período chuvoso, normalmente esperado para a primavera.

Saúde entra em alerta

As alterações climáticas provocadas pelo El Niño também preocupam especialistas da área da saúde.

A infectologista Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, explica que a combinação entre calor e chuva cria um ambiente favorável para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.

“É fundamental que cada um de nós tenha o cuidado para que a gente não favoreça a proliferação desses mosquitos. Isso começa dentro de casa, eliminando qualquer local com água parada. Além disso, o uso de repelentes e inseticidas também ajuda na prevenção.”

A Head de Marketing da SBP, Letícia Pires, afirma que ações educativas continuam sendo importantes para reduzir o número de criadouros.

“Mais calor e mais umidade significam mais mosquito. Nosso trabalho junto às comunidades busca orientar a população sobre como eliminar focos de água parada e reforçar as medidas de proteção.”

Estado cria comitê para enfrentar impactos

A Defesa Civil Estadual já iniciou um plano específico para acompanhar os possíveis efeitos do fenômeno.

Segundo o tenente-coronel Fábio Gonçalves, comandante da Força Especializada da Secretaria Estadual de Defesa Civil, foi criado um comitê que reúne diferentes órgãos do governo para atuar de forma integrada.

“Foi criado um decreto para formação de um comitê de enfrentamento aos possíveis impactos do El Niño. Esse grupo reúne áreas como educação, assistência social, energia, meio ambiente e combate aos incêndios florestais.”

Ele explica que a Defesa Civil também colocou em funcionamento um plano de contingência para seca, estiagem e incêndios florestais, além de ampliar o monitoramento por meio de novas ferramentas tecnológicas.

Entre elas estão parcerias para identificação de focos de incêndio e emissão de notas técnicas voltadas ao acompanhamento das condições climáticas.

Cuidados da população 

Além das ações do poder público, especialistas reforçam que a população também tem papel importante na prevenção dos impactos.

O diretor do Centro Estadual de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais do Rio de Janeiro, tenente-coronel Anthony Barrera, orienta que os cuidados devem ser redobrados durante os períodos de calor intenso.

“Principalmente crianças, idosos e animais precisam manter a hidratação. Também é importante evitar atividades físicas nos horários mais quentes, usar protetor solar e, em caso de chuva forte, nunca enfrentar áreas alagadas.”

Segundo os órgãos de monitoramento, novas atualizações sobre o comportamento do El Niño serão divulgadas mensalmente. A recomendação é que a população acompanhe as previsões meteorológicas e os alertas emitidos pelos canais oficiais da Defesa Civil e dos institutos de meteorologia.

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