A Polícia Federal (PF) identificou Rodrigo Pacheco, que ocupava a presidência do Senado à época, como participante de uma reunião cujo tema era a escolha do comando do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). De acordo com a PF, o encontro aconteceu em no dia 1º de fevereiro de 2023. Pacheco nega ter estado presente.
O relatório da primeira fase da Operação Sem Desconto foi entregue na última sexta-feira (10/07) e tem como destinatário o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento traz o indiciamento de 48 pessoas e, na sequência, será remetido à Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com a PF, Carlos Lopes, que preside a Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), participou de uma reunião com Pacheco na data da posse dos parlamentares, em fevereiro de 2023. Conforme o documento policial, a pauta era a definição de quem assumiria a presidência do INSS. A investigação indica que o deputado federal Euclydes Pettersen foi o responsável por articular o encontro.
Segundo o relatório da PF: “As mensagens provam que, no dia da posse dos parlamentares (01/02/2023), possivelmente utilizando os acessos proporcionados por EUCLYDES, CARLOS ROBERTO se reuniu com o Senador RODRIGO PACHECO para tratar da nomeação do Presidente do INSS. Essa nomeação de cargos-chave (Presidente, Diretor de Benefícios e Procurador-Geral) era fundamental para garantir a boa fluidez do esquema e a blindagem contra as auditorias, permitindo que a fraude em massa (Tópico 2) continuasse a gerar a receita ilícita”.
O documento da PF registra ainda: “Verifica-se que, no dia seguinte à posse de EUCLYDES e “Pacheco” (02/02/2023), GLAUCO ANDRÉ FONSECA WAMBURG foi nomeado Presidente do INSS, cargo que ocupou até 11/07/2023, quando foi substituído por ALESSANDRO STEFANUTTO”.
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A PF entende que o controle sobre posições estratégicas na autarquia — incluindo a presidência, a diretoria de benefícios e a procuradoria-geral — era fundamental para viabilizar o esquema investigado e tornar mais difícil a realização de auditorias internas.
Pacheco rejeita a versão
O senador Rodrigo Pacheco negou, de forma categórica, qualquer envolvimento. “Não conheço e nunca estive com o senhor Carlos Lopes e a senhora Bruna Braz. Nunca me reuni para tratar de indicação da pessoa de Glauco André Fonseca Wamburg que, aliás, eu sequer sabia que havia sido presidente do INSS. Também nunca fiz indicação alguma para o INSS e não conheço seus diretores e ex-diretores. Parece se estar diante de uma confusão de informações que misturou a notícia da minha eleição para presidente do Senado, um fato nacional mencionado por um cidadão de Minas Gerais, com outros assuntos que não me dizem respeito. A referência a ir se ‘encontrar com eles’ por certo não me inclui”, informou o parlamentar, em nota.
Carlos Lopes responde por indiciamento nos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro em caráter majorado e reiterado, e corrupção ativa majorada. Segundo a PF, ele se encontra foragido desde o ano passado.




